Refugiados são 60 milhões, segundo agência da ONU

Relatório do Acnur aponta que número de deslocados aumenta em 42,5 mil a cada dia

Jamil Chade, CORRESPONDENTE / GENEBRA

18 de junho de 2015 | 00h30

A cada dia, 42,5 mil pessoas são obrigadas a abandonar seus países em razão de conflitos e, ao final de 2014, o mundo somava um número recorde de 60 milhões de refugiados.

O alerta é do Acnur, organismo da ONU para refugiados, que publica hoje seu relatório anual com uma mensagem clara: o mundo está em guerra e a ONU já não tem mais capacidade para lidar com o caos deixado pelos conflitos.

“Há 59,5 milhões de indivíduos deslocados à força como resultado de perseguições, conflitos, violência generalizada ou por terem seus direitos humanos violados”, aponta o documento. No ano passado, quando o número chegou a 55 milhões, a ONU alertou que o mundo vivia a pior crise desde a 2.ª Guerra. O cenário só piorou desde então.

De acordo com o chefe da agência da ONU, Antonio Guterres, “esse número representa um aumento de 16% em relação ao ano passado e de 60%, quando comparado aos dados de uma década atrás”. “São 42,5 mil pessoas deslocadas todos os dias”, destaca Guterres. Para ele, o aumento é reflexo da situação atual. “A impressão é a de que o mundo inteiro está em guerra”, disse.

O português afirma que os conflitos atuais não estão sendo solucionados e existe a falsa ideia de que as agências humanitárias poderão posteriormente resolver a situação deixada para trás. “Não temos a capacidade nem os recursos necessários para garantir a assistência mínima aos que precisam”, declarou Guterres.

Segundo ele, dos US$ 7 bilhões necessários para o Acnur auxiliar os refugiados ao longo de 2015, a agência dispõe de apenas US$ 3 bilhões. “Não seremos capazes de garantir nem metade da ajuda aos que mais precisam”, alerta o comissário do Acnur.

O que mais preocupa a ONU é que a crise está longe do fim. Guterres afirma não acreditar que ao final de 2015 os números serão muito diferentes dos apresentados em 2014.

Ao mesmo tempo, ele destaca que a situação requer não apenas o aumento do financiamento à ajuda humanitária, mas também a disposição dos países de acolher os refugiados. Segundo ele, esses países deveriam manter suas fronteiras abertas para receber e integrar os deslocados.

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