Refugiados serão repatriados para o Afeganistão

O Paquistão está transportando alguns refugiados afegãos ilegais para além de suas fronteiras, para vilas de tendas que estão sendo armadas dentro do Afeganistão, e a milícia Taleban concordou em aceitá-los, informou hoje o governo paquistanês. Shafi Kakar, um oficial do governo da província paquistanesa de Baluquistão, que faz fronteira com o Afeganistão, afirmou que o acordo foi firmado na segunda-feira. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Riaz Mohammed Khan, confirmou hoje o acerto. "O Taleban manterá os refugiados longe das fronteiras, e ele concordou em montar dois campos de refugiados dentro do Afeganistão", afirmou Kakar. Para Khan, o acordo representa "algum entendimento com as autoridades do Taleban". A ONU irá providenciar comida e materiais de primeira necessidade para os campos, um dos quais será montado em Spinboldak, a cerca de 25 quilômetros da fronteira. O segundo será levantado a cerca de três quilômetros da linha divisória. Fatoumata Kaba, uma porta-voz do Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur), afirmou que a organização mundial também providenciou 100 tendas ao Taleban, para que sejam armadas em um campo de refugiados temporário. Segundo ela, a ONU fornecerá comida e materiais sanitários, "para que as mulheres e as crianças possam ter algum alívio da miséria". Em Genebra, oficiais da Acnur informaram que eles também prepararam "um campo temporário" dentro do Paquistão para cerca de 1.000 refugiados - os mais necessitados daqueles que cruzam a fronteira. Um dos refugiados neste campo é o menino de 9 anos Zabih Ullah, que tinha um bebê de nove meses em seus braços. Ele contou que a mãe estava do outro lado da fronteira, no Afeganistão, pois fora impedida de entrar em território paquistanês por policiais. "Estou tomando conta de meu irmão. Mas claro que não posso alimentá-lo. Por isso vou voltar para me encontrar com minha mãe", disse o pequeno Zabih, minutos antes de voltar para o Afeganistão. Milhares de refugiados estão concentrados na fronteira entre o Afeganistão e o Paquistão desde o início da ofensiva militar, no último dia 7. As maiores cidades afegãs, como Jalalabad, Kandahar e a capital, Cabul, foram pesadamente bombardeadas. Embora o acordo tenha sido acertado ontem, o Paquistão aparentemente vem repatriando centenas de refugiados desde o final de semana. Segundo testemunhas e autoridades, refugiados vêm sendo recolhidos nas ruas de Quetta, a cidade mais próxima, e levados para o outro lado da fronteira. De acordo com autoridades paquistanesas, refugiados afegãos portando documentos válidos para a entrada receberão permissão para permanecer no país. No entanto, segundo Khan, são raras as pessoas que possuem tais papéis. Ele disse que o governo de Islamabad está aceitando principalmente refugiados doentes, anciãos, mulheres desacompanhadas e crianças. "A ênfase é para pessoas realmente necessitadas", disse ele. Kaba, por sua vez, apelou ao Paquistão para que abra suas fronteiras. "Eles escaparam de uma morte violenta. Agora, eles esperam lentamente pela morte ao longo da fronteira", afirmou. Nos últimos dias, o Paquistão permitiu que 5.000 refugiados entrassem no país, mas ordenou mais uma vez o fechamento de suas fronteiras. Cerca de 15.000 afegãos estão acampados em uma área próxima ao posto de fronteira Chamam, nas redondezas de Quetta, esperando para entrar no Paquistão. Leia o especial

Agencia Estado,

23 Outubro 2001 | 14h30

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