Refugiados sírios em Natal queriam chegar à Holanda

Os homens saíram da Síria para o Líbano por terra, voaram para a Turquia e, de lá, embarcaram para o Rio de Janeiro

Anna Ruth Dantas , ESPECIAL PARA O ESTADO

07 de fevereiro de 2015 | 19h55

 NATAL - Cinco refugiados sírios que foram presos há dois meses no Rio Grande do Norte tinham como objetivo final chegar à Holanda, informaram ontem autoridades do Estado. Os homens saíram da Síria para o Líbano por terra. Em seguida, voaram para a Turquia e, de lá, embarcaram para o Rio de Janeiro.

Segundo a Justiça Federal do Rio Grande do Norte, eles entraram no Brasil com passaportes originais. No País, foram recebidos por um homem que teria sido contratado para levá-los à Europa. Em São Paulo, receberam passaportes israelenses falsos. Em Natal, ao tentarem embarcar para Lisboa – que seria o penúltimo destino antes de chegar a Amsterdã –, os homens foram presos e acusados de falsificação de documentos.

O advogado dos cinco sírios já pediu para que eles respondam em liberdade ao processo, mas o Juiz Federal Francisco Eduardo Guimarães, titular da 14ª Vara, aguarda respostas a consultas feitas à Interpol para poder analisar o pedido da defesa. O magistrado enviou solicitação de informações pessoais e as fichas criminais dos estrangeiros para as embaixadas da Síria e de Israel.

Os cinco sírios estão presos na Cadeia Pública Raimundo Nonato, localizada na zona norte de Natal. No primeiro depoimento prestado à Justiça, os homens relataram que cada um pagou 9,5 mil euros (cerca de R$ 30 mil) a criminosos que providenciariam o transporte.

Questionado pelo magistrado sobre a opção pelo passaporte falso, já que embarcaram da Turquia para o Brasil com documentos originais, um dos sírios disse que a Holanda não recebe sírios. A estratégia era, ao chegar ao destino, fazer um pedido de refúgio. Um dos estrangeiros disse que o governo holandês tem uma política de ajuda financeira a refugiados, o que permitiria ao grupo trazer os demais parentes para o país. 

A prisão dos refugiados sírios envolve um drama pessoal. Um dos irmãos revelou que trabalhava como professor de ensino fundamental em Damasco e, para conseguir o dinheiro da fuga, vendeu a própria casa, móveis e objetos pessoais. Em entrevista, os sírios revelam duas grandes aflições: a cadeia em Natal e a falta de notícias da família. O idioma é outra grande barreira para o grupo.

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