Muhammad Hamed/Reuters
Muhammad Hamed/Reuters

Refugiados sírios chegam a 4 milhões, diz ONU

Trata-se da maior fuga de um conflito desde a guerra civil do Afeganistão, que forçou 4,6 milhões a fugir do país em 1992

O Estado de S. Paulo

09 de julho de 2015 | 12h25

GENEBRA - A ONU afirmou nesta quinta-feira, 9, que o número de refugiados em decorrência do conflito na Síria superou os 4 milhões, transformando-se assim na pior crise do tipo enfrentada pela entidade nos últimos 25 anos. Trata-se da maior fuga de um conflito desde a guerra civil do Afeganistão, que forçou 4,6 milhões a fugir do país em 1992.

"Essa é a maior população de refugiados de um só conflito em uma geração. São pessoas que requerem o apoio do mundo, mas, em vez disso, vivem em condições penosas, afundando ainda mais na pobreza", declarou o Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), António Guterres, ao revelar o novo e terrível recorde.

Após quatro anos e meio de violência armada, o conflito da Síria não dá sinais de estar perto do fim. As tentativas de solucioná-lo pela via política fracassaram em grande medida pelos desacordos entre o Ocidente e a Rússia sobre a permanência ou não do presidente Bashar Assad, ainda no cargo. 

Além dos mais de 4 milhões de refugiados, há 7,6 milhões de deslocados internos dentro do país, grande parte deles em situação difícil ou em lugares de complicado acesso para as organizações que fornecem ajuda humanitária na Síria.

A rapidez com a qual segue se deteriorando no país é refletida no próprio número de refugiados, que subiu em 1 milhão apenas dez meses depois de quebrar a barreira dos 3 milhões, segundo Guterres.

O principal destino desses refugiados tem sido a Europa, que chegam ao continente por uma rota marítima que parte da Turquia, passando pelas ilhas da Grécia. Nos países europeus já foram registrados 270 mil solicitações de asilo.

No entanto, a grande maioria dos refugiados permanece na região, com o maior número deles em território turco, onde há 1,8 milhões de sírios que deixaram o país em razão do conflito.

No Líbano, os sírios já representam quase 25% dos habitantes, com 1,17 milhões de pessoas.Na Jordânia, há 630 mil refugiados, 250 mil estão no Iraque e outros 132 mil no Egito.

Esse drama se agrava, lembrou o alto comissário, pela falta de recursos para financiar as necessidades mais básicas dessa população deslocada de seu país de origem. As comunidades em que os refugiados são instalados rapidamente tiveram sua capacidade superada em razão da enorme quantidade de pessoas que fogem da Síria.

Dos US$ 5,5 bilhões necessários para a ajuda humanitária e reconstrução em 2015, o Acnur chegou à metade do ano com apenas 25% do valor, ou seja, US$ 1,375 bilhão.

Se essa situação não melhorar, os refugiados sofrerão cortes de ajuda alimentícia, de serviços de saúde e as crianças não poderão ser mais educadas. / EFE e AP

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