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Abduljabbar Zeyad/Reuters
Abduljabbar Zeyad/Reuters

Ataque de helicóptero na costa do Iêmen mata ao menos 42 refugiados somalis

Grupo que possuía documentos oficiais do Acnur estava em um barco e seguiria para o Sudão

O Estado de S. Paulo

17 de março de 2017 | 06h52
Atualizado 17 de março de 2017 | 21h13

SANAA - Pelo menos 42 refugiados somalis foram mortos na costa do Iêmen na noite da quinta-feira, quando um helicóptero atacou o barco no qual viajavam. Eles foram atingidos por disparos de armas leves, o que parece excluir a hipóteses de um bombardeio, como foi inicialmente divulgado.

 A informação foi divulgada nesta sexta-feira por Mohamed al-Alay, integrante da Guarda Costeira da localidade de Hodeidah, área controlada por combatentes do grupo houthi. Ele disse à agência Reuters que os refugiados portavam documentos oficiais do Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) e estariam indo do Iêmen para o Sudão quando foram atacados por um helicóptero Apache perto do Estreito de Bab al-Mandeb.

A embarcação dos refugiados foi atacada após conseguiu atracar em Hodeidah. O marinheiro que operava o barco, Ibrahim Ali Zeyad, disse que 80 refugiados foram resgatados vivos e vários feridos foram levados a hospitais. Não está claro quem foi o autor do ataque. A agência Saba, controlada pelos rebeldes xiitas houthis, afirmou que os disparos partiram da aviação da coalizão árabe liderada pela Arábia Saudita.

Dezenas de somalis que sobreviveram ao ataque, assim como três traficantes de pessoas iemenitas a bordo da embarcação, foram levados para prisão central da cidade. A área onde ocorreu o ataque é palco de vários bombardeios por parte das forças da coalizão árabe, pois é usada pelos rebeldes para o contrabando de armas.

Refúgio. Apesar da guerra, o Iêmen continua sendo um foco de atração para os refugiados da África que fogem da miséria. No sul do país, há vários campos de refugiados somalis, mas nenhum na região de Hodeidah, situado mais ao norte.

Localizada no Mar Vermelho, Hodeidah é controlada por combatentes houthis aliados ao Irã, que dominaram a capital iemenita, Sanaa, em 2014, e forçaram o presidente Abd-Rabbu Mansur Hadi, que tem apoio saudita, a fugir para o exílio.

A coalizão liderada pelos sauditas foi formada em 2015 para combater os houthis e as tropas leais ao ex-presidente Ali Abdullah Saleh que dispararam mísseis contra a vizinha Arábia Saudita.

O Estreito de Bab al-Mandeb é uma rota marítima estratégica ao sul do Mar Vermelho por meio da qual quase 4 milhões de barris de petróleo são despachados diariamente para Europa, Estados Unidos e Ásia.

Desde a intervenção da coalizão árabe, em março de 2015, para ajudar o governo a conter o avanço dos rebeldes, mais de 7,7 mil pessoas morreram e mais de 42,5 mil ficaram feridas, segundo as Nações Unidas.

O Iêmen sofre atualmente a “pior crise humana no mundo” e se expõe a uma grave onda de fome, adverte a ONU.

Mísseis. Ainda ontem, pelo menos 22 combatentes leais ao presidente do Iêmen morreram em um ataque com dois mísseis balísticos lançado pelos rebeldes houthis contra um quartel militar na Província de Marib, no oeste do país, segundo a agência Saba.

A agência informou que os mísseis atingiram a mesquita das instalações militares de Kofel, quando os soldados participavam da oração do meio-dia, a principal da semana. Além disso, há um número indeterminado de feridos, vários deles em estado grave.

A emissora de televisão Al-Masira, pertencente aos rebeldes houthis, informou que os mísseis eram do tipo Zelzal-1, de fabricação iraniana, e acrescentou que o quartel foi também alvo da artilharia rebelde.

Os houthis empregam este tipo de míssil para atacar alvos das forças governamentais em Marib, mas, na maioria das ocasiões, eles são interceptados por baterias de defesa Patriot, de fabricação americana. 

Este sistema de defesa é empregado pela coalizão árabe liderada pela Arábia Saudita que respalda o presidente Hadi, o único reconhecido pela comunidade internacional. /REUTERS

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