AFP PHOTO / ATTILA KISBENEDEK
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Refugiados tentam chegar à Europa pelo Ártico

Mesmo com o frio polar, que pode chegar a -15º, muitos imigrantes cruzam a fronteira entre a Rússia e a Noruega de bicicleta

O Estado de S. Paulo

01 Setembro 2015 | 10h07

OSLO - Os sírios que fogem da guerra em seu país encontraram um novo ponto de entrada na Europa: a fronteira entre a Rússia e a Noruega, pelo Ártico. Apesar do frio polar, muitos fazem o trajeto de bicicleta.

"Cerca de 150 pessoas cruzaram a fronteira este ano, a maioria sírios", afirma Hans Mollebakken, chefe da polícia norueguesa na cidade fronteiriça de Kirkenes, a mais de 4.000 km de Damasco. "A cifra explodiu este ano", conta ele.

Enquanto milhares de compatriotas utilizam barcos precários arriscando suas vidas para cruzar o mar Mediterrâneo, alguns refugiados optam por pegar caminhos mais longos e menos perigosos. É o caso do posto de Storskog, na fronteira entre Rússia e Noruega, no extremo norte da Europa.

Em 2014, cerca de 20 pessoas em busca de asilo cruzaram o local, que foi uma das únicas zonas fronteiriças diretas entre a URSS e a Otan durante a Guerra Fria. Nesta região as temperaturas podem cair para -15°C no inverno.

Entre os refugiados sírios, alguns viviam na Rússia há poucos anos, outros pegaram aviões de países do Oriente Médio e depois viajaram para Murmansk (noroeste da Rússia), até chegar a Kirkenes, segundo Mollebakken.

Governada por uma coalizão na qual participa a direita populista anti-imigração, a Noruega, que não é membro da União Europeia, mas pertence ao espaço Schengen de livre circulação de pessoas, pratica uma política de acolhida bem restritiva, principalmente em comparação à vizinha Suécia.

Esta última recebeu no ano passado 13% dos pedidos de asilo apresentados na União Europeia, o que a coloca em segundo lugar, depois da Alemanha.

Desafio. Como a passagem de Storskog está proibida para pedestres, alguns refugiados aproveitam uma falha no regulamento e cruzam a fronteira de bicicleta. "O frio, a neve, a escuridão... Tudo isso representa um verdadeiro desafio", afirma o inspetor Goran Stenseth, número dois do posto de fronteira, do lado norueguês.

A polícia de Kirkenes apreendeu algumas bicicletas e cobrou multas de até 650 euros a russos e noruegueses reincidentes que alugaram seus veículos para os refugiados passarem.

Ao contrário do que acontece em outros países europeus, esses imigrantes não são detidos. Assim que cruzam, são levados para Oslo, onde registram seu pedido de asilo.

De acordo com as autoridades, a Noruega recebeu cerca de 1.000 pedidos de asilo de cidadãos sírios desde o início do ano. Durante este mesmo período, mais de 300.000 migrantes de diferentes nacionalidades cruzaram o Mediterrâneo e mais de 2.500 pessoas morreram afogadas tentando chegar à Europa, segundo a Agência da ONU para os Refugiados (Acnur). /AFP

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