Refugiados veem com reservas diálogo em Havana

Maioria dos refugiados e deslocados internos da Colômbia diz não confiar totalmente em processo de negociação

FERNANDA SIMAS, O Estado de S.Paulo

18 Maio 2014 | 02h04

A maioria dos refugiados colombianos que vivem em países da América Latina diz que não voltaria à Colômbia mesmo que haja um acordo de paz. Segundo o Alto Comissariado para Refugiados da ONU (Acnur) na Colômbia, 400 mil refugiados estão nos países próximos, como Equador, Panamá, Costa Rica e Venezuela. A principal razão para a resistência ao regresso é a crença de que o acordo "ainda é só um processo".

Uma pesquisa feita pela Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais (Flacso) mostrou que 80% dos 55 mil refugiados colombianos no Equador pensam dessa forma. "As pessoas querem ver o resultado primeiro. Não existe confiança total na assinatura de um acordo", diz a porta-voz do Acnur na Colômbia, Francesca Fontanini.

Até dezembro de 2013, a Colômbia tinha 5 milhões de deslocados. Em 2012, as Farc foram responsáveis por 347 violações aos direitos humanos e o Exército de Libertação Nacional (ELN), 48, segundo o Centro de Pesquisa e Educação Popular/Programa para a Paz (Cinep). O Exército colombiano cometeu 118 violações e a polícia, 72.

O governo considera que a principal diferença do atual processo de paz para os anteriores está em discutir pontos ligados ao conflito e fazer um referendo sobre o pacto final. "Um acordo não colocará fim a todos os males na nação, mas nada poderia ser mais importante para esse país", escreveu Sergio Jaramillo, alto comissário para a paz.

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