Reggaeton, novo inimigo do regime

Para autoridades, ritmo popular seria 'vulgar'

O Estado de S.Paulo

01 de dezembro de 2012 | 02h06

Além de regular a economia, a educação e o sistema de saúde, o presidente do Instituto Cubano da Música (ICM), Orlando Vistel Columbié, quer controlar também o que ouvem os cubanos e proibir o que ele chama de "vulgaridade" e "mediocridade" que afetam a música cubana. A declaração dada ao jornal oficial Granma tem um alvo certo: o reggaeton, a variante caribenha do hip hop que é uma febre na ilha.

"Mas não é só o reggaeton", disse Columbié. "Expressões vulgares, banais e medíocres também são encontradas em outros gêneros musicais. Por isso, não podemos particularizar um único gênero. Mas é claro que, no que diz respeito ao reggaeton, isso é muito mais notório."

De acordo com o presidente da ICM, a organização já adotou medidas que vão desde a "desqualificação profissional dos músicos que violem a ética em suas apresentações" à aplicação de punições rigorosas contra aqueles que propiciam ou permitem essas práticas".

"Nem a vulgaridade nem a mediocridade poderão diminuir a riqueza da música cubana. Para isso, trabalhamos em coordenação com as instituições culturais que intervêm na promoção, difusão e uso social das produções musicais em Cuba", afirmou Columbié.

O reggaeton é um sucesso estrondoso entre os jovens. O ritmo, no entanto, deixou as autoridades cubanas em polvorosa em razão de sua linguagem e da mensagem implícita na maior parte de suas letras. Segundo os líderes do país, elas fazem apologia às drogas, outros vícios e ao sexo.

O ritmo é uma fusão entre o rap e o reggae. Desde 2005, vem sendo discretamente censurado nas rádios e nas TVs locais. As autoridades cubanas aconselham a não utilizar as músicas em festas organizadas por escolas e universidades e a "filtrar" a seleção das músicas nas discotecas do país.

Logo, o reggaeton virou mais um produto a circular no mercado negro, sendo tocado em bailes e festas particulares. Os músicos se defendem. Juram que o reggaeton não tem nada de contrarrevolucionário, mas Havana não engoliu o argumento e parece esperar a hora certa para proibir de vez o ritmo.

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