Região atingida por ciclone em Mianmar aprova Constituição

Leis propostas por governo militar tem respaldo de 92% da população das áreas afetadas pelo Nargis

Efe,

26 de maio de 2008 | 08h46

A ampla maioria dos eleitores que votaram no plebiscito realizado no último sábado em Mianmar (antiga Birmânia) aprovou o texto constitucional proposto pela junta militar que governa o país. A imprensa estatal indicou que 26 das 27 milhões de pessoas registradas em Rangun e em outras 47 cidades foram às urnas para votar no plebiscito que, devido aos danos causados pelo ciclone Nargis na região, não pôde ser realizado em 10 de maio com o resto da nação.   O resultado anunciado respalda o que mostrara a primeira parcial da consulta: 92,4% dos votantes aprovaram o projeto constitucional, e houve um índice de participação de 99,07%. O regime militar se comprometeu no último dia 9 de fevereiro a organizar eleições legislativas livres em 2010, caso fosse aprovada sua minuta constitucional.   A nova constituição garante à junta militar 25% das cadeiras em ambas as câmaras do Legislativo - uma proporção suficiente para impedir a aprovação de qualquer emenda constitucional que não agrade ao governo. Além disso, a líder do movimento democrático birmanês e Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi, que iniciou sua terceira prisão domiciliar em 2003, não poderá se candidatar à chefia do Estado por ter se casado com um estrangeiro - o falecido professor britânico Michael Aris -, e porque seus dois filhos, Alexander e Kim, que vivem no Reino Unido, têm passaporte estrangeiro.   A oposição democrática denunciou uma fraude maciça neste plebiscito, tanto durante a campanha - onde os partidários do "não" eram intimidados ou detidos - quanto durante a própria jornada eleitoral. A última vez que Mianmar efetuou eleições foi em 1990 e, na ocasião, a Junta Militar foi derrotada pela Liga Nacional pela Democracia (LND), o partido de Suu Kyi, que obteve mais de 82% dos votos válidos emitidos. Os generais birmaneses, que governam o país desde 1962, nunca aceitaram o resultado das eleições.

Tudo o que sabemos sobre:
Mianmarreferendo

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.