Região é chave para garantir acesso à água

DAMASCO

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

18 de julho de 2010 | 00h00

A importância estratégica das Colinas do Golan não reside só na questão da segurança, mas também na água que corre para o Lago Tibiríades, também conhecido como Mar da Galileia. Ele é a principal fonte de água doce de Israel. Caso os sírios voltem a controlar as nascentes, israelenses temem perder o controle sobre um recurso fundamental na região.

Por duas vezes, Israel e Síria chegaram perto de um acordo. A primeira, entre o então premiê Ehud Barak, hoje ministro da Defesa, e o líder Hafez Assad, pai do atual presidente Bashar Assad. A segunda, no fim de 2008, entre Assad e o ex-primeiro-ministro Ehud Olmert.

Na primeira delas, Israel concordou em devolver as Colinas do Golan, mas quis restringir o acesso ao Mar da Galileia. Na última, de acordo com Bashar Assad, Israel "concordou em sair de todo o Golan, não de apenas uma parte". Os israelenses não confirmam a informação, mas as negociações, mediadas pela Turquia, naufragaram após a invasão de Gaza, entre 2008 e 2009.

Na questão da segurança, parece não haver problemas. Segundo autoridades americanas, os dois lados já deixaram claro que seria uma retirada nos moldes do acordo com o Egito para a devolução do Sinai.

Os sírios passarão a ter soberania sobre todo o Golan, mas a área tem de permanecer desmilitarizada. Os israelenses também poderiam continuar frequentando o território para turismo, conforme eles fazem na área devolvida aos egípcios. E os colonos, como no caso de Gaza e do próprio Sinai, seriam removidos.

Em 2007, o então comandante das Undof (Forças da ONU para o Golan), Wolfgang Jilke, disse que Israel não teria problemas de segurança caso se retirasse do território. Segundo Jilke, hoje há aparelhos avançados, inexistentes nos anos 60, que permitiriam o monitoramento da movimentação militar. Em segundo lugar, porque, em qualquer acordo, a área seria desmilitarizada.

PARA LEMBRAR

Israel ocupou área na Guerra dos Seis Dias

A ocupação das Colinas do Golan por tropas israelenses foi um dos últimos lances da Guerra dos Seis Dias, em 1967. O gabinete do primeiro-ministro Levi Eshkol hesitava em lançar a operação em um terreno tão desfavorável, mas foi persuadido por setores das Forças Armadas, que viam na Síria o pior inimigo de Israel - e as Colinas do Golan seriam uma zona-tampão ideal. Depois de conquistar o Sinai, a Cisjordânia e Jerusalém Oriental, tropas israelenses tomaram a região no quinto dia do conflito.

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