Regime cubano prende cerca de 50 em funeral de ativista

Cerca de 50 pessoas foram presas ontem perto do templo onde foi celebrada a missa fúnebre em memória ao dissidente Oswaldo Payá - morto no domingo em uma colisão de carro. Os detidos, entre eles o ativista Guillermo Fariñas, foram levados pelas autoridades cubanas em dois ônibus que Igreja Católica havia reservado para levá-los até o cemitério onde Payá foi sepultado, segundo a France Presse. Eles não viram o enterro. Segundo a blogueria e colunista do Estado Yoani Sánchez, alguns dos detidos foram soltos horas depois.

HAVANA, O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2012 | 03h02

"Estavam esperando por eles na calçada, preparados para detê-los, enquanto eles procuravam um meio de ir ao enterro. (Os agentes) bateram neles, foram muito violentos", disse ao Estado Berta Soler, líder das Damas de Branco, contando que conseguiu sair do local em um outro ônibus, pouco antes da confusão. Cerca de 200 pessoas compareceram ao funeral. Após começar a gritar contra o governo, os detidos foram conduzidos à força para dois dos ônibus usados para levá-los ao cemitério.

No momento da colisão, Payá estava acompanhado do dissidente cubano Harold Cepero Escalante, de 31 anos - que conduzia o carro e também morreu -, e de dois ativistas estrangeiros: o espanhol Angel Carromero Barrios e o sueco Jens Aron Modig, ambos de 27 anos, que sofreram ferimentos leves. Desde que deixou o hospital, na segunda-feira, Carromero está preso.

A família Payá denunciou que o choque não foi acidental, conforme diz o governo. "As informações que nos chegaram dos rapazes que estavam no carro são de que havia um veículo tentando tirá-los da estrada, investindo contra eles a todo momento", disse Rosa María, filha de Payá, ao jornal El Nuevo Herald, de Miami. No velório do pai, a jovem de 23 anos pediu justiça.

O cardeal de Havana, Jaime Ortega, elogiou a "vocação política" de Payá. O papa Bento XVI expressou "seus mais sentidos pêsames", segundo o cardeal. / AFP, COM GUILHERME RUSSO

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