AFP PHOTO / AMER ALMOHIBANY
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Regime de Assad isola principal cidade de Ghouta Oriental, na Síria

As forças pró-regime conseguiram retomar mais da metade do enclave, de 100 km², controlado por duas facções rebeldes e onde cerca de 400 mil habitantes se encontram sitiados desde 2013

O Estado de S.Paulo

10 Março 2018 | 13h35

DAMASCO - As forças do regime sírio conseguiram neste sábado um avanço claro no enclave rebelde de Ghouta Oriental, isolando sua principal cidade, Duma, três semanas após o início de uma ofensiva devastadora para reconquistar este reduto rebelde, localizado nos arredores de Damasco.

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Desde 18 de fevereiro, as forças leais ao presidente Bashar Assad vem submetendo este enclave a ataques aéreos e bombardeios contínuos, que já custaram a vida de 975 civis e provocou grande destruição.

As forças pró-regime conseguiram retomar mais da metade do enclave, de 100 km², controlado por duas facções rebeldes e onde cerca de 400 mil habitantes se encontram sitiados desde 2013.

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Neste sábado, "isolaram Douma do restante de Ghuta Oriental, depois que tomaram o controle da estrada que a liga a Harasta, no oeste, e à localidade de Misraba, no sul", informou o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

Desta forma, "conseguiram dividir Ghuta Oriental em três partes: Douma e sua periferia ao norte, Harasta a oeste e o restante das localidades ao sul", afirmou o OSDH.

Seu objetivo é enfraquecer as facções rebeldes que controlam o enclave, de onde são lançados obuses contra a capital síria, deixando vítimas.

Um correspondente da AFP em Douma informou que a cidade estava sendo bombardeada pelo ar e baterias de artilharia no começo da tarde, e que as ruas estavam vazias.

"As tropas leais avançam de várias frentes", disse à AFP Rami Abdel Rahman, diretor do OSDH. "Aviões sírios e russos lançaram barris de explosivos sobre Douma e seguem com seus bombardeios em outras localidades", assinalou.

Contraofensiva em vão 

A ofensiva começou com uma campanha aérea de violência incomum, inclusive para um país que, em 15 de março, entrará em seu oitavo ano de guerra. Mais de 340 mil pessoas já morreram e milhões tiveram que abandonar suas casas desde 2011.

Os grupos rebeldes tentaram um contraofensiva, antes de retrocederem neste sábado, sob a chuva de bombas do regime e seu avanço por terra.

Desde 18 de fevereiro, apenas dois comboios com ajuda humanitária puderam entrar na parte rebelde de Ghuta para ajudar a população, graças a uma trégua diária e parcial anunciada pelos russos, que, no entanto, não cessou a hostilidade.

Um chamado da ONU no fim de fevereiro em favor de uma trégua de um mês não foi atendido. Assad advertiu que a ofensiva continuaria até a reconquista total da área de Ghuta.

Com a intervenção militar da Rússia na Síria em 2015, o regime de Assad encadeou vitórias contra os rebeldes e os jihadistas e já conseguiu retomar o controle de mais da metade do país.

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Afrin ameaçada 

Em outra frente desta guerra, forças turcas e grupos rebeldes sírios aliados encontravam-se na manhã deste sábado a 4 km da cidade de Afrin, reduto da milícia curda YPG na Síria, que a Turquia deseja expulsar da fronteira entre os dois países, também de acordo com o OSDH.

A Turquia realiza uma ofensiva desde 20 de janeiro contra as Unidades de Proteção Popular (YPG), uma milícia que chama de "terrorista", no enclave curdo de Afrin, região no noroeste da Síria.

A ofensiva turca já matou mais de 200 civis, segundo o OSDH, o que o governo turco nega. Segundo o governo de Ancara, "são tomadas todas as precauções" para evitar atingir a população. / AFP

 

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