Regime de Mianmar realiza simulacro de eleição

Depois de 20 anos de ditadura militar, eleitores vão às urnas para referendar candidatos oficialistas, sob pesadas críticas da comunidade internacional

REUTERS, AFP e AP, O Estado de S.Paulo

08 de novembro de 2010 | 00h00

RANGUM

As primeiras eleições em 20 anos em Mianmar foram realizadas ontem sob um forte esquema de segurança, relativa calma e absoluto descrédito da comunidade internacional.

A campanha foi montada de forma a impedir a participação dos partidos democráticos e prolongar o governo militar do líder Than Shwe. Apenas facções ligadas ao governo atual puderam concorrer.

Na Índia, onde realiza visita oficial, o presidente americano, Barack Obama, disse que a eleição em Mianmar não foi "livre nem justa". Em nota divulgada pela Casa Branca, o presidente dos EUA afirmou que a votação de domingo não cumpriu nenhum dos "requisitos aceitos internacionalmente para eleições legítimas".

Desde 1990, o país não realizava eleições. Na época, o partido da candidata democrata Aung San Suu Kyi teve uma vitória arrasadora nas urnas, mas as Forças Armadas impediram que ela assumisse o poder. Desde então, a dissidente é mantida em prisão domiciliar em Rangum.

Ontem, muitos eleitores simplesmente se abstiveram de votar por duvidar que o voto possa realmente mudar alguma coisa no país. Muitos preferiram trocar os locais de votação pelas celebrações religiosas.

De Londres, o chanceler britânico, William Hague, criticou duramente o regime. "Esta eleição significa a volta ao poder de um regime brutal que saqueou os recursos da nação e cometeu diversos abusos dos direitos humanos, incluindo detenções arbitrárias, desaparecimentos forçados, estupros e torturas", disse Hague.

Apesar das críticas dos EUA e de países europeus, analistas dizem que a China deve dar novo impulso aos investimentos que tem no país, principalmente na exploração de gás natural

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