Eva Hambach/AFP
Eva Hambach/AFP

Regime do Irã entrará em colapso em meses, diz príncipe herdeiro do país

Reza Pahlevi discursou nos Estados Unidos, onde vive praticamente em exílio

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de janeiro de 2020 | 20h38

O príncipe herdeiro da monarquia iraniana deposta previu nesta quarta-feira, 15, que o regime iraniano colapsará em alguns meses, e advertiu às potências ocidentais a não negociarem com o país. 

Em discurso no Instituto Hudson, em Washington, Reza Pahlevi afirmou ter lembrado da Revolução Iraniana –  responsável por tirar o seu pai do poder, em 1979 –  com os grandes protestos ocorridos em novembro do último ano e neste mês, depois que mísseis atingiram acidentalmente um avião ucraniano com 176 pessoas a bordo. 

"É apenas uma questão de tempo para que essa situação chegue ao seu clímax. Acredito que estamos nesse ponto", ressaltou o ex-príncipe, que vive praticamente em exílio nos Estados Unidos.

"Esse cenário indica semanas ou meses antes do colapso final, não muito diferente do que aconteceu nos últimos três meses de 1978, antes da Revolução", disse. O herdeiro citou como evidências a diminuição do medo entre os manifestantes e o crescente distanciamento dos reformistas do regime islâmico.  

Pahlevi apoiou em grande parte a campanha do presidente americano, Donald Trump, de impor sanções severas ao regime iraniano, como justificativa de que negociações anteriores tinham falhado. "Meus compatriotas entendem que esse regime não pode continuar e deve ser retirado", acrescentou.  

Pai do príncipe herdeiro, o xá Mohammad Reza Pahlevi governou o Irã entre os anos de 1941 e 1979 com mão de ferro. Ele tinha o apoio dos Estados Unidos e Reino Unido. 

Em 1953, a agência de espionagem americana CIA e a britânica MI6 chegaram a orquestrar um golpe para expulsar o primeiro-ministro eleito do Irã, Mohammad Mosaddegh, e colocar o xá de volta no lugar (Mosaddegh queria nacionalizar a indústria de petróleo do Irã, o que os investidores britânicos e americanos não concordavam).

Mas então, em 1979, após meses de manifestações em massa, o xá fugiu do Irã e logo depois desembarcou nos Estados Unidos. A abdicação do xá marcou o sucesso da Revolução Islâmica do Irã.

Nos meses após sua partida, forças revolucionárias disputaram o poder, estabelecendo o que hoje é a república islâmica do país. Enquanto isso, os membros da família do xá no exílio ainda se manifestavam, defendendo seu retorno legítimo. O xá morreu em 1980 no exílio, de câncer. /AFP

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