Regime líbio acusa Otan de matar 15 civis em bombardeio

Líbia acusa Otan de matar 15 civis em bombardeio. Ministro italiano alerta aliados para o risco de perder credibilidade

BBC Brasil, BBC

20 de junho de 2011 | 18h57

Autoridades da Líbia acusaram nesta segunda-feira a Otan de matar 15 civis, entre os quais três crianças, durante um bombardeio a oeste da capital do país, Trípoli.

Segundo declarações de funcionários do governo, oito mísseis atingiram um prédio pertencente a Khweildy Al-Hamidy, um aliado próximo do líder líbio Muamar Khadafi e membro do Centro de Comando Revolucionário Líbio.

O correspondente da BBC em Trípoli Jeremy Bowen participou de uma visita organizada pelo governo líbio à área bombardeada, no subúrbio de Sorman. Segundo ele, o local ficou em ruínas.

Hamidy é um dos principais aliados de Khadafi desde o golpe que levou o coronel líbio ao poder, em 1969. Segundo membros do regime, ele escapou ileso do bombardeio.

Em um comunicado, a Otan confirmou o ataque da madrugada de segunda-feira em Sorman, mas não mencionou a existência de vítimas civis.

Não é a primeira vez que o regime acusa a Otan de matar inocentes. No domingo, a Otan reconheceu que um dos mísseis usados em um bombardeio anterior havia atingido uma área residencial e que uma "falha nos explosivos" poderia ter causado vítimas.

Crítica europeia

Também nesta segunda-feira, em um encontro da União Europeia em Luxemburgo, o ministro das Relações Exteriores da Itália, Franco Frattini, disse que a Otan estava colocando em risco sua reputação e legitimidade ao conduzir ataques com civis entre os mortos.

"A credibilidade da Otan está em risco", disse Frattini.

O chanceler italiano disse que a aliança militar tem um poder de comunicação limitado com a população líbia e "não pode competir com a propaganda diária do coronel Khadafi".

O bloco também anunciou que pode congelar bens e ativos de mais aliados do regime.

Na cidade de Benghazi (leste do país), principal reduto da oposição a Khadafi, líderes rebeldes reclamaram nesta segunda-feira da demora na transferência de doações ao grupo que luta contra o regime do coronel.

Por meio de nota, a União Europeia reconheceu a "necessidade urgente do CNT (Conselho Nacional de Transição, órgão formado pelos rebeldes)" de ter acesso às doações. O dinheiro poderia vir, inclusive, de futuros bens congelados.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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