Caren Firouz/Reuters
Caren Firouz/Reuters

Regime líbio diz que reconhecimento externo de rebeldes é 'irresponsável'

Governo de Kadafi critica Londres por reconhecer Conselho de Transição; rebeldes controlarão embaixada

BBC Brasil, BBC

27 de julho de 2011 | 18h38

TRÍPOLI - O regime líbio de Muamar Kadafi nesta quarta-feira, 27, chamou de "ilegal" e "irresponsável" o reconhecimento britânico dos rebeldes do país, que passam a ser tratados por Londres como governo legítimo da Líbia. Medida semelhante já foi tomada por países como EUA, França e Itália, em tentativa de pressionar o governo de Kadafi.

 

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Também nesta quarta, o ministro das Relações Exteriores britânico, William Hague, disse que a Grã-Bretanha reconheceu o Conselho Nacional de Transição, formado por rebeldes, como representantes legítimos do poder líbio. Com isso, serão expulsos todos os diplomatas designados por Kadafi que ainda permanecem em solo britânico.

Embaixadas

 

O vice-chanceler líbio, Khaled Kaaim, disse que o reconhecimento consiste em "violação das leis britânicas e internacionais". Os rebeldes também passarão a controlar a embaixada líbia em Londres, o que desencadeou um pedido, por parte do Conselho de Transição, para ocupar também a representação diplomática líbia em Washington. Autoridades americanas dizem estar estudando a solicitação.

A Grã-Bretanha, que tem papel de liderança na campanha militar aérea da Otan contra as forças de Kadafi, disse também que pretende liberar US$ 150 milhões em ativos líbios aos rebeldes, que vêm pedindo mais dinheiro ao Ocidente para combater as tropas governamentais.

Rebeldes líbios e forças pró-Kadafi continuam um combate aguerrido, cinco meses após o início de uma revolta popular contra o regime de 42 anos do ditador. A Otan continua a implementar uma zona de exclusão aérea imposta pela ONU no país.

Kadafi, por sua vez, disse que manterá a luta contra as tropas estrangeiras, mesmo que pagando o preço disso com "nossas vidas, as vidas de nossas mulheres e crianças. Estamos prontos para (nos) sacrificarmos para derrotar o inimigo", segundo mensagem de áudio transmitida a simpatizantes (e noticiada pela AFP) em região próxima à fronteira com a Tunísia.

Permanência na Líbia

Ainda no campo diplomático, o homem designado pelos rebeldes como novo embaixador em Londres, Mahmoud al-Nakou, disse à BBC que, caso seja destituído, Kadafi não poderá permanecer na Líbia.

A declaração se segue a mudanças de tom por parte de países ocidentais, que indicaram que aceitariam que Kadafi ficasse na Líbia mesmo que seja derrubado do poder. Nesta semana, o chanceler Hague afirmou que Kadafi não necessariamente teria de ser exilado e que o tema é "uma questão (que deve ser decidida) pelos líbios".

França, EUA e Itália também deram indícios de que defendem posição semelhante, mas o TPI (Tribunal Penal Internacional) exige que Kadafi deixe a Líbia. O tribunal emitiu em junho um mandado de prisão contra o líder líbio, acusando-o de crimes contra a humanidade.

 

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