Zohra Bensemra/Reuters
Zohra Bensemra/Reuters

Regime resiste em prisão símbolo na Líbia

Forças rebeldes não conseguem capturar o complexo carcerário de Abu Salim, onde Kadafi torturava e mantinha seus inimigos

Lourival Sant'Anna, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2011 | 00h00

ENVIADO ESPECIAL / TRÍPOLI - Combatentes rebeldes, brigadas e mercenários leais ao ditador Muamar Kadafi travaram ontem intensas batalhas na disputa pelo controle dos pontos mais estratégicos de Trípoli, enquanto os oposicionistas consolidavam o domínio sobre a capital e seus arredores. O centro da luta deslocou-se para a prisão de Abu Salim. No local, Kadafi mantinha seus inimigos presos indefinidamente e ordenava torturas e fuzilamentos.

 

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Armados com fuzis e peças de artilharia montadas sobre a carroceria de caminhonetes, rebeldes cercaram o complexo carcerário, que abriga a Guarda Popular, um dos muitos tentáculos de defesa do regime. Lá de dentro foram disparados foguetes Grad contra Bab al-Azizia, o quartel-general de Kadafi, tomado pelos rebeldes na noite de terça-feira. Abu Salim fica a apenas 2 quilômetros do quartel-general, no centro de Trípoli. Os rebeldes libertaram vários detentos, entre eles o jornalista americano Matthew VanKyke, preso em março.

Baterias de foguetes instaladas no parque do zoológico de Trípoli também dispararam contra o complexo que antes abrigava o ditador e suas forças de elite. Bandeiras verdes, símbolo do regime, ainda estavam hasteadas no parque.

Franco-atiradores disparavam ontem do parque e de várias outras áreas da cidade, iniciando tiroteios esporádicos. Houve confrontos também na estrada que liga Trípoli ao aeroporto. Os rebeldes especulavam ontem que as forças de Kadafi estavam tentando retomar o controle da estrada e do próprio aeroporto para garantir a fuga do ditador. Há a informação não confirmada da existência de um túnel que ligaria o complexo de Bab al-Azizia ao aeroporto.

O paradeiro de Kadafi é desconhecido. Numa declaração gravada e transmitida por uma emissora de rádio que o apoia - a rádio e a TV estatais foram tiradas do ar pelos rebeldes -, o ditador contou que fez um "giro" por Trípoli, disfarçado, e garantiu não ter sentido "que a cidade estava em perigo". Ele afirmou que sua retirada de Bab al-Azizia foi um "movimento tático" e prometeu lutar "até a morte". Também convocou ainda os moradores de Trípoli a "limpar a cidade dos demônios e traidores".

Estímulo. O Conselho Nacional de Transição tornou públicos outros estímulos destinados a quem ajude a dar o golpe final no regime líbio - além da recompensa de US$ 1,7 milhão oferecida por um empresário pela morte ou captura de Kadafi. O presidente do CNT, Mustafa Abdel-Jalil, disse em entrevista coletiva em Benghazi que "qualquer pessoa do círculo próximo dele que mate ou capture Kadafi terá anistia ou perdão para qualquer crime que tenha cometido".

As forças rebeldes avançaram ontem em direção a Sirte, a cidade natal de Kadafi e reduto do regime, localizada na zona costeira da Tripolitana. De lá têm sido disparados foguetes Scud contra Misrata, controlada pelos rebeldes.

Um dos fronts mais sangrentos ontem foi na cidade de Bin Jawad, porta de entrada para Sirte. Outro local onde rebeldes e forças leais ao ditador se enfrentam é Sabha, no sul da Líbia.

Segundo Abdel-Jalil, líder do CNT, ao todo já morreram ao menos 400 pessoas e mais de 2 mil ficaram feridas desde o sábado, quando rebeldes conseguiram entrar na periferia de Trípoli, sob forte apoio aéreo da Otan. Os caças da aliança ocidental vêm bombardeando a capital há seis meses. Nas últimas semanas, com a aproximação dos opositores, os ataques foram intensificados.

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