Depo Photos via AP
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Regime sírio cerca Alepo e 20 mil fogem para a fronteira turca

O primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu, afirmou que a operação do regime começou a ser conduzida na segunda-feira, em uma campanha de Damasco para recuperar dos rebeldes o controle de cidades-chave no norte do país

O Estado de S. Paulo

05 de fevereiro de 2016 | 17h41

NOVA YORK - Apoiadas por bombardeios aéreos russos, as forças leais ao presidente Bashar Assad cercaram nesta sexta-feira, 5, a cidade de Alepo, dominada por combatentes da oposição, afirmou a agência de notícias estatal Sana. A operação foi confirmada pelo Observatório Sírio dos Direitos Humanos, que monitora a guerra. 

A ofensiva sobre o território rebelde, segundo a ONU, forçou a fuga de 20 mil sírios para a fronteira com a Turquia, ameaçando desencadear uma nova crise humana do conflito que já dura quase cinco anos e matou 260 mil. 

O primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu, afirmou que a operação do regime começou a ser conduzida na segunda-feira, em uma campanha de Damasco para recuperar dos rebeldes o controle de cidades-chave no norte do país. Segundo ele, pelo menos 70 mil sírios teriam tentado fugir para a Turquia desde então. O país já recebe cerca de 2,5 milhões de refugiados da crise síria. 

A Turquia tem acusado a Rússia de envolvimento no conflito sírio e ontem o presidente Recep Tayyip Erdogan disse que Moscou deve ser responsabilizada pelas mortes da guerra. 

Em visita ao Senegal, Erdogan afirmou que a Rússia estava engajada em uma “invasão” da Síria e tentando estabelecer uma “butique estatal” (de armas) para seu aliado Bashar Assad. “Ao cooperar com o regime, o número de pessoas que eles já mataram alcançou 400 mil”, afirmou Erdogan, em um comentário que deve agravar as relações com Moscou. 

A Turquia é Estado-membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), que hoje culpou a Rússia e seus bombardeios aéreos por “minar os esforços para encontrar uma solução política” para o conflito, segundo seu secretário-geral, Jens Stoltenberg. 

Na quarta-feira, em Genebra, foram suspensas mais uma vez as negociações de paz mediadas pela ONU. A oposição síria ameaçou não voltar à mesa de negociações se suas demandas não forem cumpridas antes, entre elas o fim dos bombardeios.

“A cada vez mais importante presença russa, a atividade aérea na Síria também está aumentando as tensões”, em particular com a Turquia, que em novembro derrubou um caça-bombardeiro russo em sua fronteira com a Síria, disse ele.

A Força Aérea russa realizou entre segunda e quarta-feira 237 saídas aéreas, contra 875 “alvos terroristas” no norte da Síria, em uma operação que permitiu às forças de Assad a bloquear a principal via de abastecimento dos rebeldes com a Turquia. A Rússia se defendeu das acusações e afirmou que os responsáveis pelo fracasso das negociações são os opositores. 

O mediador das Nações Unidas  Staffan de Mistura apresentou, nesta sexta-feira, no Conselho de Segurança, em uma reunião a portas fechadas, os motivos que o fizeram adiar o diálogo. Apesar de declarações de ceticismo dos diplomatas da ONU, Mistura afirma que a negociação será retomada no dia 25. A reunião foi pedida pela Venezuela, que este mês ocupa a presidência rotativa do Conselho. 

Na quinta-feira, em uma reunião em Londres, doadores internacionais se comprometeram a repassar US$ 10 bilhões em ajuda humanitária às vítimas da guerra – o Brasil contribuirá com US$ 1,3 milhão em doação ao Acnur. / REUTERS, EFE, AFP e AP

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