Regime sírio denuncia ''massacre'' de 80 policiais e soldados

Segundo Damasco, ação de ''gangues armada'' em cidade ao norte fez população ''implorar'' por intervenção do Exército

, O Estado de S.Paulo

07 de junho de 2011 | 00h00

DAMASCO

O governo da Síria anunciou ontem que "gangues armadas" atacaram suas forças de segurança, deixando 120 mortos - entre eles 80 soldados e policiais - na região de Jisr al-Shughour, norte do país, palco de vários protestos contra o regime de Bashar Assad. A cifra de mortos não pôde ser confirmada com fontes independentes, mas, se for verdadeira, indica uma escalada de violência sem precedentes nos três meses e meio de distúrbios no país árabe.

A imprensa estatal síria divulgou uma série de boletins ao longo do dia ampliando o número de mortos. Segundo o governo, os moradores de Jisr al-Shughour estavam "implorando" pela intervenção do Exército na cidade para "acabar com a violência". Grupos opositores locais questionaram a veracidade dos relatos oficiais e disseram temer que o regime Assad use a suposta tragédia para intensificar a repressão a dissidentes. Damasco não permite a entrada de jornalistas estrangeiros para apurar os fatos.

Segundo a agência estatal Sana, a maior parte dos mortos foi vítima de uma emboscada. Uma agência do correio teria sido alvo de uma bomba e atiradores estariam disparando a esmo do alto de prédios. Embora o governo de Damasco tenha denunciado o "massacre", nenhuma imagem da violência foi divulgada nos órgãos oficiais do regime. Os supostos ataques contra as forças de segurança foram noticiados pelo governo sírio um dia após ataques de helicóptero e blindados deixarem 25 mortos também em Jisr al-Shughour.

Desde março, a Síria vive uma onda de distúrbios na esteira da chamada "primavera árabe". O clã Assad está no poder há quatro décadas - Bashar herdou o poder do pai, Hafez, em 2000.

Formada em sua maioria por jovens de classe média, a oposição exige a queda da ditadura e uma abertura democrática. Damasco, porém, acusa "insurgentes islâmicos e agentes estrangeiros" pela onda de protestos. / NYT e AP

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