Regime sírio está aberto a negociações, diz ministro

O regime sírio está pronto para negociar com todos os grupos do país, incluindo os rebeldes armados, que queiram estabelecer um diálogo para acabar com o conflito, afirmou o chanceler sírio Walid al-Muallem nesta segunda-feira, em uma conversa com o ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov.

AE, Agência Estado

25 de fevereiro de 2013 | 08h49

"Estamos prontos para o diálogo com todos os que querem o diálogo, incluindo aqueles que estão portando armas", disse Muallem em Moscou com Lavrov, em uma aparente referência aos rebeldes que combatem o regime do presidente Bashar Assad.

"Nós ainda acreditamos em uma solução pacífica para o problema da Síria", afirmou Muallem, ressaltando a criação de uma coalizão de governo que poderia negociar com a "oposição interna e externa".

Ao lado de Muallen, Lavrov disse não há outra alternativa para o conflito de dois anos a não ser através de negociações.

"Nós queremos que a Síria seja independente, unida e voltada para todos os cidadãos sírios, independentemente, de sua religião, para que eles vivam livremente em paz e democraticamente", afirmou o ministro russo. "O povo sírio deve decidir o seu destino sem intervenção externa".

Lavrov acrescentou que a situação na Síria está em uma "encruzilhada", mas expressou otimismo de que uma solução política possa ser encontrada.

"Há aqueles que entraram em um caminho de mais derramamento de sangue e que colocam em risco de colapso do Estado e da sociedade", disse Lavrov. "Mas também há forças sensatas que estão cada vez mais conscientes da necessidade de iniciar as negociações o mais rápido possível para chegar a um acordo político".

"O número de adeptos de uma linha tão realista está crescendo", acrescentou o russo.

Lavrov disse na semana passada que houve sinais positivos de ambos os lados sobre uma nova possibilidade de negociação, mas fez um apelo para que o regime de Assad transforme as palavras e a disposição de uma reconciliação em atos concretos.

Os combates - que, segundo a Organização das Nações Unidas , já tirou 70 mil vidas desde que o conflito começou em março de 2011 - se intensificou nos últimos dias, uma vez que ambos os lados buscam se superar no aspecto militar.

A Rússia também tem trabalhado para levar o chefe da Coalizão Nacional, de oposição, Ahmed Moaz al-Khatib, à Moscou, possivelmente, no início de março. No entanto, os rebeldes já se retiraram das negociações com as potências estrangeiras em protesto contra a incapacidade da comunidade internacional de deter o derramamento de sangue. As informações são da Dow Jones.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.