Regime sírio promete levantar estado de emergência

Tropas foram mobilizadas para a cidade portuária de Latakia em mais uma tentativa para conter os levantes

Gustavo Chacra, correspondente de O Estado de S.Paulo,

27 de março de 2011 | 19h37

NOVA YORK - Ao mesmo tempo em que mobilizou tropas para a cidade portuária de Latakia em mais uma iniciativa para conter os levantes, o regime sírio, através de Bouthaina Shaaban, chefe de gabinete e principal conselheira de Bashar al-Assad, anunciou neste domingo, 27, que o estado de emergência vigente há quase cinco décadas deve ser levantado.

 

Nos Estados Unidos, em entrevistas conjuntas concedidas a diferentes canais de TV americanos, a secretária de Estado, Hillary Clinton, e o secretário da Defesa, Robert Gates, descartaram a possibilidade de uma intervenção na Síria similar à que vem ocorrendo na Líbia.

 

"A decisão para o levantamento do estado de emergência já foi tomada", disse Shaaban em entrevista para a rede de TV Al Jazira. O repórter insistiu se realmente esta medida será tomada e a chefe de gabinete, que tem sido usada como porta-voz do governo na atual crise, respondeu que "absolutamente", mas não disse quando isso ocorrerá.

 

Em entrevista coletiva na semana passada, ela havia dado declaração no mesmo sentido.

Shaaban ainda acrescentou para a rede de TV do Qatar, no seu canal em inglês, "que também foi determinado que sejam abertos diálogos sobre novos partidos e mais liberdade para a imprensa". O único partido em atividade na Síria é o Baath, de Assad.

 

Ao longo do dia, especulou-se que o líder sírio faria um discurso para a nação, que acabou não acontecendo. Não foi divulgado o motivo do cancelamento ou se foi apenas uma adiamento para hoje. Desde a eclosão da crise, Assad ainda não falou publicamente, optando por usar Shaaban.

 

Para conter os levantes, o Exército sírio enviou tropas adicionais para Latakia. A cidade está distante dos focos dos protestos contra o governo, em Daara. Em Damasco, a maior parte dos atos são a favor do regime de Assad, segundo relatos feitos ao Estado. Parte se deve à decisão de aumentar o salário do funcionalismo, o que teria agradado à população.

 

Em Washington, ao ser perguntada se os EUA pretendem se envolver no conflito na Síria, Hillary respondeu que "não". "Cada um desses caos é único. Mas obviamente condenamos os ataques (contra opositores) na Síria", afirmou.

 Mais adiante, em entrevista para a rede de TV CBS, Hillary buscou diferenciar Assad de Muamar Kadafi, da Líbia. "Muitos membros do Congresso (dos EUA) dos dois partidos (Republicano e Democrata) que viajaram à Síria nos últimos meses acreditam que ele (Assad) é reformista. O que tem acontecido lá nas últimas semanas é profundamente preocupante, mas há uma diferença entre isso e bombardear (como Kadafi) suas próprias cidades", acrescentou.

 

Apesar de manter um embargo econômico unilateral à Síria, os EUA têm tentado uma aproximação com o regime de Damasco desde que Barack Obama chegou ao poder. Neste ano, os americanos voltaram a ter um embaixador em Damasco pela primeira vez desde 2005. O principal canal de comunicação com Assad é através do presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, John Kerry.

Tudo o que sabemos sobre:
síriaassadlatakialíder sírio

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.