Regiões bolivianas votam autonomia sob clima tenso

Em meio a um ambiente demuita tensão, moradores de regiões amazônicas da Bolíviacompareceram no domingo à votação dos referendos por autonomia,que desafiam as mudanças na Constituição prometidas pelopresidente de esquerda, Evo Morales. Com a vitória do "Sim" quase assegurada para os estatutosdos distritos de Beni e Pando, onde o governo e seuspartidários fizeram campanha pela abstenção, o tema a serdefinido agora é o grau de participação dos cidadãos nasconsultas sem observadores internacionais. A convocação à resistência em áreas rurais foi atendidaparcialmente, com bloqueios a várias estradas e queima de aomenos uma quinzena de urnas de votação, em incidentes que,segundo a imprensa local, deixaram ao menos três camponesessimpatizantes do mandatário indígena feridos. Morales condenou as consultas nos distritos amazônicos porilegalidade, como fez com o primeiro referendo para aprovar oestatuto de autonomia, realizado em 4 de maio, no rico distritooriental de Santa Cruz, o motor econômico do país. O desafio de autonomia da direita, que conseguiu paralisardesde o início do ano a colocação em vigência de uma novaConstituição "plurinacional", será completado em 22 de junhocom um referendo no distrito de Tarija, onde estão as maioresreservas de gás natural no país. "Apesar das provocações de grupos do governo, esta será umajornada de uma festa democrática", disse a repórteres emCobija, capital de Pando, o prefeito Leopoldo Fernández, um dosmais radicais líderes da direita boliviana. O mesmo otimismo expressou em Trinidad, capital de Beni, oprefeito Ernesto Suárez, desprezando a importância dasmobilizações anti-referendo que prevaleciam em áreas ruraisremotas. Testemunhas disseram que em Trinidad, a maior das cidadesonde foi realizado o referendo do domingo, o comparecimento àsurnas foi escasso pela manhã. Os referendos aumentam a tensão em um amplo conflitopolítico que causa preocupação nos países vizinhos e ementidades internacionais.

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