REUTERS/Christian Mang
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Regiões da Alemanha desafiam Berlim e querem desconfinamento total

País de 83 milhões de habitantes tem decidido regras de distanciamento social em acordos entre governo federal e os regionais

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2020 | 11h01

BERLIM - Regiões do leste da Alemanha que registram baixas taxas de contágio pelo coronavírus estão desafiando os planos de desconfinamento gradual recomendados pelo governo da chanceler Angela Merkel e propondo uma volta completa das atividades. A decisão preocupa o restante do país de 83 milhões de habitantes. 

A intenção declarada do governo regional da Turíngia, liderado pelo partido de esquerda Die Link, de suavizar as restrições e confiar na responsabilidade dos cidadãos ganhou apoio da região da Saxônia, controlada pelos conservadores. 

Por sua vez, o governo alemão quer estender as medidas de distanciamento físico até 5 de julho, estimando que a pandemia de coronavírus seria reiniciada "muito rapidamente" na ausência de precauções, de acordo com informações da AFP.  

Preparado pela chancelaria, um documento que deve ser discutido com os 16 estados do país planeja manter uma distância de pelo menos 1,5 metro entre as pessoas. Prevê até dez indivíduos ou duas famílias reunidas em espaços fechados ou públicos. O projeto de resolução do governo mantém a "obrigação de usar uma máscara em alguns locais públicos".

No caso da Saxônia e da Turíngia, a ideia é deixar para trás medidas restritivas do início de junho. Isso não significa que o povo deveria "se abraçar e esquecer as regras do isolamento social", mas sim confiar no comportamento individual da população, explicou o líder da Turíngia, Bodo Ramelow. 

A Saxônia, governada por uma aliança entre conservadores, sociais-democratas e verdes, também planeja reduzir ao mínimo as limitações. As iniciativas dessas regiões contrastam com a norma vigente até agora na Alemanha, em que cada fase foi acordada entre o governo federal e e regional, que então implementam as medidas.

Houve variações importantes ​​em termos de tempo e rigor na aplicação, embora isso seja considerado adequado ao sistema federalista alemão. A iniciativa lançada pela Turíngia coincide com a reativação do setor de turismo. Depois que a vida comercial já havia sido revivida nas semanas anteriores, as aulas foram retomadas gradualmente e os museus foram reabertos, entre outras atividades culturais.

Poucos contágios

O número de infecções na Alemanha tem diminuído constantemente e, segundo dados do Instituto Robert Koch, existem 9.100 casos ativos. O número acumulado de contágios é de cerca de 178 mil e o de mortos, de 8.257. O total de pacientes recuperados é de 161 mil. O fator de transmissão está em 0,89, mas em algumas localidades, como Berlim, está em 1,3, o que é um sinal de alerta. / EFE  e AFP 

 

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