Regiões lutam por separação pós-Guerra Fria

Fragmentação da União Soviética levou territórios a conflitos pela independência

MOSCOU, O Estado de S.Paulo

19 de março de 2014 | 02h02

O colapso da URSS foi acompanhado e sucedido por uma série de movimentos separatistas de regiões que, a exemplo da Crimeia, se identificam ou estão mais associadas à Rússia. Muitas se autoproclamam "países independentes" ou "repúblicas separatistas" e mantêm status indeterminado, com cenários políticos agravados por conflitos de componentes étnicos.

É o caso da Transdniéstria que, em 1990, declarou unilateralmente sua independência da Moldávia, com a ajuda militar russa. Mantém governo, moeda e forças de segurança próprios, mas não é reconhecida pela ONU. Outro exemplo é a Ossétia do Sul. Em março de 2008, a região pediu à comunidade internacional que reconhecesse sua independência da Geórgia, após o apoio ocidental à separação de Kosovo, da Sérvia.

Ao mesmo tempo, o Parlamento russo pediu ao Kremlin que reconhecesse a independência da Ossétia do Sul e de outra região separatista da Geórgia, a Abkházia, após o governo georgiano requisitar, sem sucesso, sua entrada na Otan.

Em abril do mesmo ano, a Ossétia do Sul rejeitou um acordo georgiano de divisão de poder e insistiu na sua independência. Forças da Ossétia do Sul e da Geórgia iniciaram um conflito e as georgianas invadiram o território.

Como retaliação, as forças russas invadiram a Geórgia, em um confronto que causou milhares de mortes. Hoje, a Ossétia do Sul existe sob protetorado da Rússia.

A Abkházia, por sua vez, situada às margens do Mar Negro, já havia proclamado unilateralmente sua independência em 1992. Ela saiu vitoriosa depois de também entrar em guerra com forças georgianas. Com 216 mil habitantes, a região vive sob a proteção de soldados russos.

No entanto, há também aquelas regiões que buscaram a dissociação da Rússia. Um dos exemplos é o da Chechênia, com 1,2 milhão de habitantes, que proclamou unilateralmente sua independência em novembro de 1991. Depois de vários anos de conflito, a Chechênia tornou-se mais estável sob a presidência do líder pró-Kremlin, Ramzan Kadyrov.

Vizinha da Chechênia, a Ingushétia, de 442 mil habitantes, é uma das mais pobres repúblicas russas. Desde 2002, líderes pró-Moscou comandam uma dura repressão contra dissidentes no território. / AFP

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