Rei Abdullah quer mediar negociações entre Fatah e Hamas

O rei Abdullah II da Jordânia ofereceu nesta terça-feira mediar negociações entre o presidente palestino e a liderança do Hamas com o objetivo de amenizar os confrontos entre as duas facções.A oferta de Abdullah foi anunciada logo após a chegada do primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, a Amã. A visita-surpresa tem por objetivo encontrar meios de reviver o processo de paz entre palestinos e israelenses.Paralelamente ao encontro, militantes ligado ao Fatah - facção política do presidente palestino, Mahmoud Abbas - entraram em confronto com membros do Hamas - grupo islâmico que controla o parlamento e o governo palestino. Ao menos quatro pessoas morreram na troca de tiros na Cidade de Gaza, que minou uma fraca trégua estabelecida pelos dois grupos no domingo."A Jordânia deseja fazer todo o que for possível para ajudar os palestinos a sobrepor suas diferenças e possibilitar uma união da população", informou a declaração divulgada pelo palácio real. "Todas as opções estão abertas, inclusive um encontro em Amã entre o líder palestino (Abbas) e o primeiro-ministro Ismail Haniye (do Hamas)."Segundo a declaração, as discussões terão como foco as "formas para acabar com a crise política entre o Hamas e o Fatah", O Hamas, por sua vez, disse ainda não ter recebido o convite jordaniano. "Se recebermos um convite formal, ele será estudado de acordo com os interesses nacionais", disse o porta-voz do grupo Fawzi Barhoum. O representante do grupo islâmico destacou, no entanto, que a Jordânia rompeu relações com o Hamas depois de descobrir, em abril, um cacho de armas que seria contrabandeado para os territórios palestinos pelo Hamas. "O Hamas tem interesse de manter relações com todos os países árabes, incluindo a Jordânia. O Hamas não cortou relações com a Jordânia, mas a Jordânia cortou relações com o Hamas."Conversas com OlmertA declaração do palácio real disse ainda que Abdullah relatou à Abbas trechos de sua conversa com Olmert. O encontro entre Abdullah e Olmert surgiu de um convite secreto feito pelo rei jordaniano com o objetivo de reviver as conversas sobre formas de se alcançar a paz entre israelenses e palestinos. Em Jerusalém, o gabinete de Olmert confirmou a reunião, afirmando que os líderes discutiram a crise na Palestina e outros assuntos regionais.Para o monarca pró-EUA, um retorno às negociações árabes-israelenses é vital para barrar o crescimento do extremismo no Oriente Médio, atualmente alimentado também pelo conflito do Iraque.Segundo um funcionário do palácio real que falou à Associated Press em condição de anonimato, Abdullah pediu que Olmert "se engaje nas negociações com os palestinos de forma que um projeto (de paz) seja encontrado para relançar o processo de paz".O rei teria dito ainda que "com o objetivo de melhorar a confiança no processo de paz, é importante mostrar que os dois lados possuem parceiros com credibilidade".Segundo a agência jordaniana Petra, Olmert também conversou com o rei Abdullah sobre "os passos que Israel pode dar no futuro para relançar o processo de paz com os palestinos".

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