EFE/EPA/ROBIN VAN LONKHUIJSEN
EFE/EPA/ROBIN VAN LONKHUIJSEN

Rei da Holanda vai aposentar carruagem com imagem de negros escravizados

Veículo passou por restauração que durou cinco anos, mas desde então não foi usado pela realeza

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de janeiro de 2022 | 20h00

O rei Willem-Alexander da Holanda anunciou na quinta-feira, 13, que não usará mais a carruagem dourada da realeza. O veículo, utilizado pelos reis desde 1901, traz em sua lateral um painel com a imagem de homens negros ajoelhados diante de seus senhores brancos. A relíquia histórica estava no centro de um debate sobre as imagens da colonização e o racismo na sociedade holandesa.

Após uma renovação completa que durou cinco anos, a carruagem é hoje a peça central de uma controvérsia no país por conta de seus painéis decorativos. Do lado esquerdo, uma pintura sobre o período colonial representa negros escravizados ajoelhados diante de homens brancos e de uma mulher sentada no trono que representa a Holanda. Os negros entregam-lhe cacau e cana-de-açúcar.

Na declaração dada na quinta-feira em um vídeo oficial, o rei disse considerar que a sociedade holandesa "não está pronta" para ver a carruagem, conhecida como Gouden Koet", nas ruas novamente durante as cerimônias oficiais.

"Não podemos reescrever o passado. Podemos tentar aceitá-lo juntos. Isso também se aplica ao passado colonial. A Gouden Koets só poderá ser usada quando a Holanda estiver pronta para isso. E esse não é o caso no momento. Enquanto houver pessoas vivendo na Holanda que sintam a dor da discriminação no cotidiano, o passado ainda lançará sua sombra sobre nosso tempo", disse o rei.

Desde 2015, a luxuosa carruagem feita de madeira revestida por ouro não é utilizada pela família real holandesa, parada para reforma. Antes disso, o veículo dourado era usado pelos monarcas para irem a batizados, casamentos e outras grandes ocasiões.

Após a reforma que durou mais de cinco anos, a volta da carruagem durante uma exposição em Amsterdã reabriu a polêmica sobre seu uso.

Além da imagem de homens escravizados fazendo trabalhos manuais e ajoelhados, a pintura que decora a carruagem, chamada Homenagem das Colônias, mostra um jovem branco dando um livro a um menino negro. Em 1896, o pintor Nicolaas van der Waay disse que a imagem representava a civilização.

De um lado, grupos acusavam a monarquia de glorificar um período de opressão racista e desumana do país. De outro, defensores do artefato consideram que a carruagem é um objeto histórico que revela momentos importantes da Holanda que não devem ser apagados./ AFP e AP

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