Rei da Jordânia desaconselha eleição no "caos do Iraque"

Os extremistas irão dominar as eleições no Iraque se a votação for realizada em meio à violência atual, afirmou o rei da Jordânia, Abdullah II, numa entrevista publicada hoje. Abddulah, que se reuniu em Paris com o presidente Jacques Chirac, disse ao diário Le Figaro que "parece impossível organizar eleições incontestáveis no caos do Iraque de hoje". "Se as eleições ocorrerem na atual desordem, a facção mais organizada será a dos extremistas", afirmou. "O resultado refletirá essa vantagem dos extremistas. Em tal cenário, não haverá chance de que a situação melhore". Autoridades dos EUA insistem que a eleição será realizada em janeiro como planejado, apesar de o secretário da Defesa Donald Rumsfeld ter admitido que a votação pode não ocorrer em algumas áreas, devido à violência. Abdullah expressou temor de que isso significará que a minoria árabe sunita - que vive nas regiões mais conturbadas no Iraque - ficará fora da eleição. "Espero sinceramente que a segurança melhore e que as eleições ocorram. Mas em todo o território do Iraque", frisou. Para o rei, deve ser acelerado o retorno do Exército iraquiano - não os generais mas os oficiais de média patente e soldados, que "sozinhos têm o número e a capacidade de restabelecer a ordem". "O maior erro dos americanos foi dissolver as forças de segurança e expurgar da administração centenas de milhares de membros do Partido Baath", o partido governista na época de Saddam Hussein, avaliou Abdullah.

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