Rei da Jordânia diz a Bush ser contra ataque ao Iraque

O rei da Jordânia, Abdullah II, disse hoje, durante encontro com o presidente dos EUA, George W. Bush, na Casa Branca, que discorda do plano norte-americano de depor o presidente do Iraque, Saddam Hussein. Abdullah defendeu o diálogo com o governo iraquiano. Mas Bush não pareceu ter levado em conta as opiniões do rei, nem as ponderações dos congressistas, neste segundo dia de debates no Congresso sobre um eventual ataque ao Iraque. Ao contrário, o presidente americano reiterou hoje que continua achando necessário mudar o regime iraquiano. Antes de receber o rei da Jordânia, Bush disse à imprensa que examinaria "todas as opções e o uso de todos os meios" e se mostraria "paciente" ao receber Abdullah na Casa Branca. "Sou um homem paciente. Mas não mudei de ponto de vista depois da visita anterior do rei", afirmou. "Saddam Hussein é um homem que envenena seu próprio povo, ameaça seus vizinhos e desenvolve armas de destruição em massa", afirmou. Abdullah já havia deixado clara sua posição um dia antes, em entrevista ao jornal Washington Post. Segundo o rei, os EUA cometem um grande erro ao ignorar as advertências de seus aliados sobre os perigos de uma intervenção no país. "Todas as pessoas com quem me reuni no mundo dizem que essa é uma má idéia. Se os EUA parecem pensar em querer atacar Bagdá, não é isso que pensam os jordanianos, os britânicos, os franceses, os russos, os chineses ou qualquer outro", declarou Abdullah II ao Post. ONU Hoje, o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, expressou sua oposição a uma operação militar contra Saddam, dizendo ao diário árabe Al-Hayat, editado em Londres, que esse tipo de plano é insensato e a busca de uma mudança de regime naquele país vai além da política da organização. Em sua edição de hoje, o Post destacou que há um intenso debate na administração Bush sobre as estratégias para depor Saddam. De um lado, os altos funcionários "civis" - grupo em que se incluem o secretário de Estado, Colin Powell, e o diretor da CIA, George J. Tenet -, defendendo soluções inovadoras, como o uso de pequenos contingentes militares. De outros, os "militares" - o secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, e o vice-presidente Dick Cheney -, com propostas que empregariam forças mais amplas. Os dois primeiros fazem indagações céticas sobre os resultados de uma campanha militar. O grupo dos "militares" pressiona pelo confronto com Saddam, argumentando que o presidente do Iraque representa uma ameça séria. "No Iraque, não podemos substituir um déspota pelo caos", disse o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Joseph Biden. "O povo iraquiano, que sofre há muito tempo, tem de estar seguro de que uma mudança no governo lhe trará benefícios. Os vizinhos do Iraque e o povo americano também desejam estar seguros disso," afirmou. A Turquia, um dos vizinhos, teme que um ataque americano desestabilize o Iraque e resulte na criação de um Estado curdo no norte desse país, o que poderia estimular os sentimentos separatistas dos curdos turcos. Já o líder curdo iraquiano, Massoud Barzani, disse que suas forças não se envolverão em apoio aos EUA se não tiverem a garantia de segurança e autonomia para essa minoria.

Agencia Estado,

01 Agosto 2002 | 19h18

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