Rei da Jordânia diz que país também quer programa nuclear

O rei jordaniano, Abdullah II, disse nesta sexta-feira que seu país pretende buscar um programa nuclear próprio. Em entrevista ao jornal Haaretz, ele afirmou que pretende ampliar o poder nuclear da Jordânia - que faz fronteira com Israel - "com fins pacíficos" e que já discute o plano com outras nações."As regras sobre os assuntos nucleares têm mudado em toda essa região", disse o líder jordaniano, lembrando que o Egito e outros países já declararam suas intenções de desenvolver um programa nuclear próprio. "Nossas intenções e necessidades também mudaram".A porta-voz do primeiro-ministro israelense, Miri Eisin, disse que não comentará as declarações do rei. Shlomo Brom, pesquisador do Instituto Israelense de Estudos Estratégicos e ex-chefe de Planejamento do Exército israelense, descartou a hipótese levantada por Abdullah II. "Os jordanianos não têm recursos para implantar um programa nuclear", disse.Para Brom, o rei da Jordânia está provavelmente tentando mostrar que, se o Irã pode continuar levando adiante seu programa nuclear - apesar dos protestos e sanções internacionais -, o surgimento de uma corrida nuclear na região será inevitável.Israel teme o avanço do programa iraniano, pois acredita que ele possa servir a fins militares. O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, já havia dito que, para ele, Israel deveria ser "riscado do mapa". Acredita-se que os israelenses possuam seu próprio arsenal nuclear. No entanto, a informação nunca foi confirmada oficialmente.Nova guerraDurante a entrevista concedida ao jornal Haaretz, o rei Abdullah II disse também que teme uma nova guerra no Oriente Médio, caso o conflito entre israelenses e palestinos não se resolva este ano."A freqüência dos conflitos nesta região é extremamente alarmante", disse o jordaniano. "Creio que, entre os árabes e até mesmo entre parte dos israelenses, existe a impressão de que Israel perdeu o combate anterior e isso cria um precedente perigoso".Segundo o rei, a guerra no Líbano criou uma "oportunidade de ouro" para que se comece a resolver o problema entre palestinos e israelenses, que, segundo ele, é o eixo da estabilidade na região."Devemos nos assegurar de que o conflito ocorrido no ano passado não se repetirá, caso contrário, o surgimento de uma nova guerra entre Israel e algum outro país da região será apenas uma questão de tempo".

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