Rei deposto por república abandona o palácio no Nepal

Gyanendra promete que continuará trabalhando em prol dos nepaleses após fim de 239 anos de monarquia

Agências internacionais,

11 de junho de 2008 | 12h03

O rei Gyanendra deixou definitivamente nesta quarta-feira, 11, o principal palácio de Katmandu. O ex-monarca passou a ser um civil na recém-instalada repúblicae afirmou que não pretende deixar o país e continuará trabalhando para o benefício dos nepaleses  O rei deposto informou que entregou seu cetro, uma coroa de penas de pavão e as jóias ao governo nepalês. Ele mudou-se para um palácio de verão em uma área de floresta nas proximidades da capital. Na nova residência, cedida pelo governo, terá proteção policial, mas levará uma vida como a de qualquer cidadão - ainda que muito mais rica que a da média. Além disso, alguns nepaleses ainda consideram que ele deveria permanecer no cargo. "Eu não tenho intenção ou pensamentos de deixar o país", garantiu Gyanendra, em seu primeiro pronunciamento público em meses, horas antes de deixar o palácio. "Eu ficarei no país para ajudar a estabelecer a paz". "Eu aceitei a decisão", disse Gyanendra a repórteres. "Eu fiz o que pude para cooperar com as diretrizes (do governo)."  A maioria dos cidadãos deixou clara a satisfação com a queda do monarca. Ainda que Gyanendra tenha sido deposto no mês passado, a movimentação desta quarta-feira é carregada de simbolismo em uma nação governada por monarcas da dinastia Shah durante 239 anos. O país foi declarado uma república no mês passado, depois de ex-rebeldes comunistas terem vencido as eleições para apontar os membros de uma Assembléia Constituinte. "Isso marca o começo de um novo Nepal e o fim de uma dinastia que não fez nada além de prejudicar esse país", disse Devendra Maharjan, um fazendeiro que viajou a Katmandu apenas para ver o rei deixar o palácio. "Se não fosse pelos reis, o Nepal provavelmente não teria permanecido uma nação pobre." Gyanendra assumiu o cargo em 2001, após um massacre em que um homem armado, supostamente o príncipe herdeiro, matou o rei Birendra e vários membros da família real antes de se suicidar. Em 2006, o monarca já havia cedido poder para um governo civil, em uma medida que deixou Gyanendra mais impopular. Um ano depois, em meio a grandes protestos, foi forçado a instaurar a democracia. O ex-monarca viverá no palácio de verão - também nacionalizado - como um favor do governo. Gyanendra argumentou que não poderia ocupar sua residência privada em Katmandu, pois seu filho já mora ali.

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