Rei do Marrocos indica islâmico moderado para premiê

O secretário-geral do Partido da Justiça e Desenvolvimento (PJD) do Marrocos, Abdelilah Benkirane, foi escolhido pelo rei Mohammed VI para chefiar o governo do país magrebino nesta terça-feira. Mohammed VI recebeu Benkirane na cidade montanhosa de Midelt e o nomeou chefe de governo, com a missão de formar uma coalizão governista. O Partido da Justiça e Desenvolvimento, considerado islâmico moderado, conquistou 107 das 395 cadeiras do Parlamento marroquino, quase o dobro do segundo partido nas eleições da sexta-feira passada.

AE, Agência Estado

29 de novembro de 2011 | 14h54

Sob mudanças feitas em meados deste ano na Constituição do Marrocos, o primeiro-ministro agora é uma figura política mais forte que antes, com a função de "chefe de governo" e ele precisa ser escolhido dentro do partido que obtém o maior número de cadeiras no Parlamento. O PJD, assim, deverá testar os limites do novo cargo, uma vez que é o primeiro partido que saiu das urnas a ocupá-lo.

O PJD é considerado "moderado" no espectro das organizações islâmicas marroquinas e não insistiu em questões como a obrigatoriedade do uso do véu para as mulheres e também não proibiu a venda de bebidas alcoólicas, em grande parte consumidas por turistas europeus que visitam o país.

O PJD, ao invés disso, baseou sua plataforma eleitoral na luta contra a corrupção, na reforma do sistema educacional e no combate ao amplo desemprego.

A vitória do PJD no Marrocos se segue ao triunfo do Hizb al-Nahda (Partido Ennahda, ou Partido da Renascença) na Tunísia, no final de outubro. E os eleitores no Egito, que votam durante esse dias para escolher seu Parlamento, tendem a preferir a Irmandade Muçulmana egípcia, a qual poderá conquistar entre 30% e 40% dos votos.

Benkirane, eleito chefe do PJD em 2008, comanda uma facção mais simpática à monarquia e repetidamente manifestou apoio a um rei forte, mesmo que vários dos seus colegas prefiram um rei Mohammed VI com poderes enfraquecidos.

Apenas 6 milhões de eleitores, entre 13,5 milhões de eleitores inscritos e 21 milhões potenciais, votaram nas eleições da sexta-feira.

"O PJD sabe que a situação política no Marrocos é muito tensa", disse Benkirane no domingo. "Eu prometo um governo forte que dará esperança aos marroquinos", ele disse. Ele afirmou que os ministros serão escolhidos pela competência e não por indicações políticas.

As informações são da Associated Press.

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