Rei do Nepal é responsável por repressão sangrenta

Uma comissão governamental considerou o rei Gyanendra do Nepal responsável pela brutal campanha de repressão a manifestantes pró-democracia em abril deste ano, informaram autoridades locais nesta segunda-feira. A campanha de repressão terminou com 19 mortos e centenas de feridos. A conclusão da comissão representa um novo golpe contra o rei, que viu seu status de semideus ser substituído pelo de delinqüente desde que um levante popular o obrigou a abrir mão de seus poderes absolutos e colocou em segundo plano a monarquia no Nepal. O primeiro-ministro Girija Prasad Koirala prometeu punir os responsáveis pela campanha de repressão, durante a qual centenas de pessoas foram detidas, muitas das quais denunciaram torturas. Harihar Birahi, membro da comissão, disse que o rei foi responsabilizado porque estava à frente do gabinete na época dos abusos. Apesar da repressão, Gyanendra foi obrigado a abrir mão de seus poderes e reinstaurar o Parlamento depois de 14 meses de governo absolutista. Mesmo tendo atribuído a responsabilidade a Gyanendra, a comissão não recomendou punição. O Nepal não possui atualmente nenhuma lei determinando como se deve punir um crime cometido por um monarca. Enquanto isso, milhares de rebeldes comunistas estão sendo encaminhados para vários acampamentos supervisionados pela Organização das Nações Unidas (ONU) como parte de um acordo de paz, informou um negociador rebelde nesta segunda-feira. Os rebeldes, que combatiam as tropas do governo desde 1996 em favor do fim da monarquia e da criação de um Estado comunista no Nepal, firmaram um acordo histórico com o governo este mês. O acordo prevê o confinamento de seus combatentes e suas armas em acampamentos sob a supervisão da ONU a partir de 21 de novembro, como parte do processo de paz. Há sete acampamentos maiores e 21 menores onde os rebeldes serão mantidos enquanto são preparadas as eleições do próximo ano. Os funcionários da ONU informaram que não poderão ter supervisores em todos os acampamentos até amanhã, como estava previsto. "Milhares de nossos combatentes estão se dirigindo para esses locais onde serão preparados os acampamentos. Esperamos que até terça-feira a maior parte deles já tenha chegado", disse Dev Gurung, membro da equipe de negociadores dos milicianos maoístas. De acordo com Ian Martin, representante do secretário-geral da ONU no Nepal, não será possível a presença dos vigilantes para todas as áreas até terça-feira. Ele não soube informar quando todo o processo estará completo. Os rebeldes e o governo chegaram a um acordo de paz na semana passada, mas ainda não formalizaram o pacto. Acredita-se que este seja firmado ainda esta semana, marcando o fim de um conflito iniciado há dez anos com um saldo de mais de 13.000 mortos.

Agencia Estado,

20 Novembro 2006 | 14h39

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