Rei e oposição do Afeganistão chegam a acordo

Com apoio dos Estados Unidos, o ex-rei do Afeganistão, Mohammad Zahir Shah, e representantes da oposicionista Aliança do Norte afegã chegaram hoje a um acordo destinado a expulsar o Taleban do poder. Os dois lados concluíram entendimento para a constituição de um conselho supremo de líderes afegãos, reunidos na tradicional Loya Jirga (Grande Conselho). A Loya Jirga é uma instituição centenária que abriga representantes de todas as principais grupos étnicos, chefes tribais, intelectuais e líderes religiosos. O objetivo é obter um consenso e eleger um líder capaz de chefiar um governo democrático de transição que, segundo fontes das duas partes, poderia ser instaurado nas regiões do norte do país controladas pela aliança ou mesmo, provisoriamente, no exterior. Os dirigentes da oposicionista Aliança do Norte (que combate militar e politicamente o Taleban) dirigiram-se à residência do ex-rei, de 86 anos, na capital italiana, onde ele vive exilado. Yosou Kanuni, chefe da delegação afagã da Aliança do Norte, alertou que "não serão aceitos ataques norte-americanos contra o povo, contra a população inocente do Afeganistão". "A proposta é aumentar as condições deles para afastar o Taleban. Isso significa que não vamos ficar limitados ao apoio político", disse um funcionário que pediu para não ser identificado. Numa aparente providência para tentar conter a oposição, o Taleban declarou ter alcançado "um forte compromisso de partilha de poder e colaboração" com diversos líderes tribais em três províncias do sul. O Taleban tem sua base de sustentação no grupo pashtun que representa cerca de 40% da população afegã. Os chefes tribais afegãos vinham rejeitando até agora qualquer contato com o ex-rei, também um pashtun. Não ficou claro na reunião se eles estariam dispostos a participar de um conselho integrado pelo ex-rei. Muitos desses líderes também fazem oposição à aliança. Além disso, fontes diplomáticas acham que Zahir Shah, embora receba apoio dos aliados, é muito "fraco" para chamar para si a responsabilidade de reunir todas a correntes políticas afegãs.

Agencia Estado,

01 Outubro 2001 | 21h37

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