Rei prevê que separação de palestinos será ´catastrófica´

Abdullah II da Jordânia pediu que palestinos retomem instituições

Agencia Estado

02 Julho 2007 | 09h53

O rei Abdullah II da Jordânia afirmou neste domingo, 1º, que a persistência da separação da Faixa de Gaza do resto dos territórios palestinos trará "conseqüências catastróficas" para o povo palestino. O monarca fez a advertência em entrevista publicada pelo jornal jordaniano "Alghad", na qual assegurou que os moradores de Gaza estão exaustos devido ao embargo internacional e às difíceis condições nas quais vivem. Abdullah II se referia à situação atual de Gaza depois que o movimento radical Hamas tomou o controle do território após combates com a milícia do Fatah, liderada pelo presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas. "Pedimos ao povo palestino irmão que escute a voz da razão e rejeite a política de manter o status quo" de Gaza, ressaltou. O rei pediu aos palestinos que "retornem às legítimas instituições palestinas", já que, segundo ele, é a única solução para terminar com a divisão que afeta o povo palestino. "Esta vontade permitirá aos que apóiam os palestinos ajudar a relançar as negociações que ponham fim às injustiças que o povo palestino sofreu", ressaltou Abdullah II. Sobre a suposta rejeição jordaniana à autoridade do Hamas, o monarca disse que é "a favor dos direitos palestinos" e respalda a ANP "com o propósito de pôr fim às injustiças e de estabelecer um Estado palestino independente". O monarca afirmou ainda que a Jordânia "trata com governos, e não com partidos". Em relação a Israel, Abdullah II afirmou que já tinha chegado o momento de se "estabelecer uma estratégica clara de paz, porque sem ela não se pode chegar à paz que se deseja"."Se Israel deseja uma paz real, deve movimentar-se rapidamente com este objetivo e permitir aos palestinos, aos árabes e ao mundo saber quais são suas intenções", acrescentou. O rei criticou o resultado da cúpula realizada na segunda-feira em Sharm el-Sheikh entre ele, o presidente do Egito, Hosni Mubarak, o presidente da ANP, Mahmoud Abbas, e o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert. O monarca assegurou que assistiu à cúpula, apesar de estar convencido de que não "se conseguiria o que era desejado". "Mas nosso dever é adotar todo passo que possa ajudar os palestinos", acrescentou. Abdullah II pediu à comunidade internacional que resista a todas as pressões americanas e israelenses que exigem a formação de uma federação ou confederação entre a Jordânia e os territórios palestinos. "A Jordânia tem interesses políticos, estratégicos e de segurança na criação de um Estado palestino independente", ressaltou.

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