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Rei saudita altera linha de sucessão e coloca filho como herdeiro do trono

Ao retirar o seu meio-irmão da linha sucessória, Salman se torna o último filho do fundador da Arábia Saudita a governar

O Estado de S. Paulo

29 de abril de 2015 | 11h52

RIAD - O rei Salman, da Arábia Saudita, nomeou nesta quarta-feira, 29, um novo herdeiro e indicou o seu jovem filho como o segundo na linha de sucessão, uma grande mudança na estrutura de poder da elite saudita ultraconservadora em um momento de turbulência regional.

Ao designar o ministro do Interior, Mohamed bin Nayef, de 55 anos, príncipe herdeiro e o seu filho, ministro da Defesa, Mohamed bin Salman, de 30 anos, o segundo príncipe herdeiro, o rei Salman efetivamente decidiu a linha de sucessão para as próximas décadas no país, que é o maior exportador de petróleo do mundo.


A substituição do príncipe Muqrin, o mais jovem meio-irmão de Salman, como príncipe herdeiro significa que o presente monarca será o último dos filhos do fundador da Arábia Saudita, rei Abdulaziz al Saud, a governar, depois que cinco de seus irmãos ocuparam o trono.

A remodelação também consolida as relações com os Estados Unidos. O príncipe Mohamed bin Nayef, que substitui o príncipe Muqrin - sucessor escolhido pelo rei Abdullah antes de sua morte -, mantém laços pessoais mais próximos com autoridades americanas do que praticamente qualquer outro dirigente do país, disseram diplomatas.

Em outra grande mudança, Salman substituiu o veterano ministro das Relações Exteriores, príncipe Saud al-Faisal, que estava no cargo desde outubro de 1975, pelo embaixador do reino em Washington, Adel al-Jubeir, o primeiro não membro da realeza a exercer o cargo.

Enquanto Mohamed bin Nayef é uma figura familiar, tanto dentro do reino como no Ocidente, por seu papel no esmagamento a uma revolta da Al-Qaeda e por ser encarregado da política saudita para a Síria, Mohamed bin Salman é relativamente desconhecido.

Até pouco mais de quatro meses atrás, o príncipe só tinha servido como chefe do tribunal de seu pai, era quase um estranho para o público saudita e havia tido relativamente pouco contato com parceiros estrangeiros do reino.

Desde então, como o ministro da Defesa ele se tornou a face da guerra recém-lançada pela Arábia Saudita no Iêmen, com sua imagem a todo o momento aparecendo na televisão ou em cartazes de rua e agora está estabelecido como uma figura central no país.

Petróleo. A remodelação feita pelo rei Salman também incluiu o setor petrolífero, extremamente sensível aos mercados financeiros. Por ser o maior exportador do produto, o país detém a chave para o abastecimento mundial.

O executivo-chefe da empresa estatal de petróleo Aramco, Khalid al-Falih, foi nomeado ministro da Saúde, de acordo com o texto do decreto divulgado pela agência oficial de imprensa saudita (SPA). A emissora saudita al-Arabiya também informou que ele foi nomeado presidente da companhia petrolífera estatal, uma posição até então ocupada pelo veterano ministro do Petróleo, Ali al-Naimi, que permaneceu em seu cargo no governo. /REUTERS

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