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Rei saudita pede fim de bloqueio a palestinos e critica EUA

Em um discurso pontuado por críticas à ocupação americana no Iraque, o rei Abdullah, da Arábia Saudita, defendeu nesta quarta-feira, 28, o fim do bloqueio internacional ao governo palestino como forma de retomar o processo de paz com os israelenses. Para ele, a questão está no âmago dos problemas regionais.Falando durante a abertura da cúpula da Liga Árabe, o monarca aparentemente conseguiu o apoio de vários líderes árabes ao plano de paz de 2002, que está sendo reexaminado durante a reunião de quarta e quinta-feira. Ele também pediu o fim da violência sectária que ameaça empurrar o Iraque para uma guerra civil."Torna-se necessário encerrar o injusto bloqueio imposto ao povo palestino assim que possível, para que o processo de paz possa avançar numa atmosfera distante da opressão e da força", disse o rei Abdullah na abertura do encontro.A formação de um governo palestino de unidade nacional, mediado pela Arábia Saudita em fevereiro, levou à redução parcial do isolamento diplomático, mas não eliminou as sanções econômicas internacionais em vigor desde a eleição do governo do Hamas, há um ano.O governo saudita, pressionado por Washington a demonstrar mais liderança regional, pediu aos Estados muçulmanos sunitas que superem suas divisões, pois uma frente unida teria mais força para convencer Israel a tratar da questão palestina.O embaixador palestino, Jamal Shobaki, disse que os líderes aceitaram um conjunto de resoluções fortemente influenciado pelo plano de paz de 2002, que propõe a normalização das relações árabes com Israel, a criação de um Estado palestino e uma "solução justa" para os palestinos expulsos de suas terras em 1948."Os líderes aprovaram todas as propostas de resoluções na sessão fechada. Amanhã a sessão só vai incluir discursos de alguns líderes antes que o comunicado final seja lido", disse o diplomata.Em declaração à cúpula, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse que "a iniciativa de paz árabe é um dos pilares do processo de paz".IsraelMas Israel se opõe aos principais itens da proposta, como o recuo para as fronteiras de 1967, a inclusão de Jerusalém Oriental em um eventual Estado palestino e a volta de refugiados palestinos para terras atualmente sob jurisdição do Estado de Israel.Por isso, proposta de resolução final evita qualquer menção à expressão "direito de retorno" dos refugiados. O primeiro-ministro palestino, Ismail Haniye, pediu aos líderes árabes que não façam concessões a respeito dessa questão.O vice-primeiro-ministro de Israel, Shimon Peres, disse em nota que há "discordâncias em várias questões" e que "a questão é como superá-las, seja pela coação e a força ou via negociação.""Eles podem trazer suas posições e levaremos as nossas, e podemos chegar a um acordo como fizemos com Egito e Jordânia", afirmou, referindo-se aos dois únicos vizinhos de Israel que estabeleceram relações pacíficas com o Estado judeu.IraqueA violência no Iraque foi outro foco da cúpula. O rei Abdullah salientou a violência entre sunitas e xiitas."No amado Iraque, o sangue escorre entre os irmãos à sombra da ilegítima ocupação estrangeira e do odioso sectarismo, ameaçando uma guerra civil", disse ele, numa rara crítica incisiva à presença norte-americana no país.O chanceler iraquiano, Hoshiyar Zebari, disse à Reuters que as resoluções da cúpula vão incluir um apelo do governo pelo desmantelamento de todas as milícias e por uma revisão constitucional.As crises do Sudão e do Líbano também foram discutidas. Sem final à vista para o impasse entre o governo libanês, apoiado pelo Ocidente, e a oposição, liderada pelo Hezbollah, o texto da cúpula deve manifestar apenas um apoio geral ao Líbano e a um tribunal que julgará os suspeitos do assassinato do ex-primeiro-ministro Rafik Al Hariri.

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