EFE/ Olivier Hoslet
EFE/ Olivier Hoslet

União Europeia e Reino Unido não chegam a acordo sobre fronteira com a Irlanda no Brexit

Premiê britânica, Theresa May, e presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, estiveram perto de resolução e avançaram na questão; primeiro-ministro irlandês, Leo Varadkar se diz 'surpreso e decepcionado' com o que considerou um recuo de Londres

O Estado de S.Paulo

04 Dezembro 2017 | 12h55
Atualizado 04 Dezembro 2017 | 16h09

BRUXELAS - A União Europeia e o Reino Unido não conseguiram alcançar nesta segunda-feira, 4, um acordo para encerrar a última fase de suas negociações de separação, durante um encontro em Bruxelas, mas disseram estar "confiantes" de que chegarão a um acerto até o fim desta semana.

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A primeira-ministra britânica, Theresa May, e o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, chegaram perto de uma resolução e conseguiram fazer avanços encorajadores sobre a questão da fronteira irlandesa.

May deve se encontrar na tarde desta segunda com o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, que lhe pediu, na sexta-feira, que "pusesse sobre a mesa, no mais tardar em 5 de dezembro, sua oferta final", para que seja avaliada na próxima cúpula europeia de 15 de dezembro. 

Tusk não escondeu seu otimismo nesta segunda e disse que UE e Reino Unido "estão se aproximando" de um acordo nas negociações sobre Brexit, depois de um encontro "encorajador" com o primeiro-ministro irlandês, Leo Varadkar. 

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A negociação sobre a fatura a ser paga pela separação parece encaminhada, mas o futuro dos cidadãos europeus após o Brexit e a questão da fronteira irlandesa, considerada atualmente a discussão mais complexa, ainda estão pendentes.

Após o insucesso das negociações nesta segunda, Varadkar disse estar "surpreso e decepcionado" pelo recuo do governo britânico. "Estou surpreso e decepcionado que o governo britânico não pareça estar em condições de concluir o que tinha sido acordado antes", disse Varadkar em uma entrevista em Dublin. 

'Data-limite'

"Avanços suficientes" nesses assuntos são a condição para que os 27 iniciem a segunda fase de negociações, que inclua a futura relação de UE  e Londres, especialmente no setor comercial. 

O Reino Unido tem pressa de chegar a esta segunda fase, que é fundamental para o país, mas os europeus exigem antes compromissos definitivos sobre a ruptura. 

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Assim, as negociações comerciais poderiam começar em janeiro. Caso contrário, elas poderiam ser adiadas "para fevereiro ou março", de acordo com uma fonte diplomática.

A "data-limite absoluta" para enviar a oferta britânica foi estabelecida para esta segunda, 4. Essa oferta será debatida na quarta-feira, na Comissão, em uma reunião com o negociador chefe da UE, o francês Michel Barnier, que dará seu veredicto aos 27, antes da decisão final da cúpula da UE em meados deste mês.

De acordo com alguns veículos, já haveria um acordo sobre a fatura do divórcio, entre € 45 bilhões e € 55 bilhões. A informação foi negada pelas duas partes, mas Londres "apresentou propostas muito próximas das demandas dos 27 Estados-membros", admitiu o comissário europeu, Phil Hogan.

Questão irlandesa

Com o acordo sobre a fatura, a questão irlandesa tornou-se o problema mais complexo: Dublin pediu para Londres fazer de tudo para evitar a volta de uma fronteira física com a província britânica da Irlanda do Norte.

O reaparecimento das fronteiras enfraqueceria essas duas economias, altamente dependentes, e prejudicaria, de acordo com Dublin, o acordo de paz de 1998, que deu fim a 30 anos de conflitos violentos. 

"Se a oferta britânica for inaceitável para a Irlanda, também será inaceitável para a UE", disse Tusk na sexta-feira, expressando seu apoio à Irlanda.

Segundo a emissora pública irlandesa, Londres teria aceitado as demandas da Irlanda. Isto foi confirmado pelo deputado verde do Parlamento Europeu, Philippe Lamberts, depois de ter sido recebido na manhã desta segunda pela Comissão e pelo próprio Michel Barnier. 

"O bolo está quase pronto (...) Me disseram que o Reino Unido está pronto para isso, e que há um consenso sobre isso", disse ele a repórteres. 

A terceira questão, a dos direitos dos cidadãos, não está encerrada, de acordo com o Parlamento Europeu, que exige um compromisso do Tribunal de Justiça da União Europeia para garantir os direitos dos europeus no território britânico após o Brexit. / AFP

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