Daniel Leal-Olivas/AFP
Daniel Leal-Olivas/AFP

Reino Unido corta definitivamente laços com União Europeia

Período de transição do Brexit se encerrou nesta quinta-feira, 31

Redação, O Estado de S.Paulo

31 de dezembro de 2020 | 21h23

LONDRES - O Reino Unido rompeu definitivamente seus laços com a União Europeia (UE), pondo fim a quase meio século de participação no bloco.

Às 23h no horário local (20h no Brasil) e à meia-noite em Bruxelas, o relógio marcou o momento histórico da desconexão do Reino Unido de seus vizinhos da comunidade, mais de quatro anos depois que os britânicos votaram - em 23 de junho de 2016 - a favor do Brexit.

O Reino Unido já havia deixado oficialmente o bloco no dia 31 de janeiro, mas esta quinta-feira marcou o fim do mercado comum e da união aduaneira, aos quais o país ainda estava vinculado durante o período de transição que acaba de se encerrar.

A partir de agora, o Reino Unido, como tem insistido o Governo, passa a ser um país com controle de suas águas, liberdade para negociar acordos comerciais com países fora do bloco comunitário, sujeito apenas às suas próprias leis e sob a jurisdição de seus tribunais.

"É um momento incrível. Temos nossa liberdade em nossas mãos e depende de nós aproveitá-la ao máximo", declarou o primeiro-ministro Boris Johnson em discurso de fim de ano.

Johnson vive uma importante vitória pessoal após assumir as rédeas do Brexit em julho de 2019.

Seu executivo evitou um choque de última hora, chegando a um acordo com o governo espanhol nesta quinta-feira para manter a fronteira com Gibraltar aberta.

Apesar do Brexit, "o Reino Unido segue sendo nosso vizinho, mas também um amigo e aliado", afirmou o presidente da França, Emmanuel Macron, em mensagem de fim de ano, atribuindo o divórcio a "muitas mentiras e falsas promessas".

Esperança e ansiedade

Impedida pela pandemia do coronavírus e pela resolução de Londres de "recuperar sua total soberania" e pela UE de "proteger o mercado único", a negociação parecia condenada em várias ocasiões. 

Porém, em 24 de dezembro, horas antes da véspera de Natal, acabou dando frutos: a façanha de chegar ao acordo de livre comércio mais completo e abrangente possível no prazo recorde de dez meses. 

Com ele, a UE oferece ao seu ex-parceiro acesso sem precedentes sem tarifas e sem cotas ao seu enorme mercado de 450 milhões de consumidores em troca do compromisso do Reino Unido de respeitar uma série de regras que irão evoluir ao longo do tempo sobre o meio ambiente, trabalho e direitos fiscais para evitar qualquer concorrência desleal. Isso evitará que o caos se instale nas fronteiras britânicas na sexta-feira, 1.

Olhando para o futuro

Devido à pandemia, não haverá comemorações. Só o Big Ben, o imenso sino da torre norte do Parlamento britânico, em restauração desde 2017, quebrou o silêncio para tocar na virada e também uma hora antes, em um dos testes de seu mecanismo.

Os desafios agora são consideráveis para o governo Johnson, que prometeu dar ao Reino Unido um novo lugar no mundo. A nível nacional, o executivo conservador deve se esforçar para reunificar os britânicos, divididos por um Brexit que contrariou a Escócia e a Irlanda do Norte. 

“Deixamos um lugar vazio à mesa na Europa” mas “não ficará vazio por muito tempo”, ameaçou na quarta-feira o deputado escocês pró-independência Ian Blackford, cujo partido, o SNP, exige um novo referendo sobre autodeterminação, depois do vencido em 2014, com a esperança de poder reintegrar a UE como um Estado independente. /AFP e EFE

 

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