REUTERS/Yaser Al-Khodor
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Reino Unido criará unidades de isolamento para extremistas islâmicos nas prisões de segurança máxima

Segundo ministra britânica, objetivo da medida é reduzir a disseminação de ideologias radicais entre os membros da população carcerária

O Estado de S.Paulo

22 Agosto 2016 | 12h09

LONDRES - O Reino Unido isolará os extremistas islâmicos nas prisões de segurança máxima em unidades especiais para limitar sua capacidade de radicalizar outros detentos, disse o governo nesta segunda-feira, 22.

A ministra da Justiça britânica, Liz Truss, disse que o objetivo da ação é reduzir a disseminação de ideologias radicais dentro da população carcerária em geral, incluindo o treinamento de agentes para interromper atividades que possam influenciar prisioneiros vulneráveis.

"Existe um número pequeno de indivíduos, indivíduos muito subversivos, que de fato precisam ficar detidos em unidades separadas", disse ela à rádio BBC. "Estamos estabelecendo unidades especializadas no sistema penitenciário para abrigar estes indivíduos."

A nova política aparece após uma análise sobre o extremismo nas prisões liderada pelo ex-diretor de presídio Ian Acheson, que deve ser publicada também nesta segunda-feira.

A BBC disse que Acheson descobriu haver uma "timidez institucional" para se lidar com ideologias extremistas nas prisões porque os funcionários temem ser considerados racistas. Truss afirmou que os diretores e agentes prisionais terão treinamento e autoridade para extirpar o extremismo.

As ações governamentais ocorrem no momento em que o pregador islâmico mais famoso do Reino Unido, Anjem Choudary, está prestes a ser condenado em setembro por ter sido considerado culpado de incitar apoio ao Estado Islâmico.

Críticos dizem que as unidades especiais podem se tornar antros nos quais os extremistas mais radicais poderiam trocar ideias e criar redes, repetindo alguns dos erros cometidos na Irlanda do Norte nos anos 1980, quando prisioneiros paramilitares tanto do lado republicano quanto do campo legalista conseguiram se organizar dentro do sistema. Truss disse ter aprendido a lição com os irlandeses.

Ela afirmou que os riscos seriam administrados graças à criação de pequenas unidades dentro de prisões já existentes e ao estabelecimento de um novo diretório de segurança e de contraterrorismo, que impediria a colaboração entre prisioneiros. / Reuters

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