Facundo Arrizabalaga/EFE/EPA
Facundo Arrizabalaga/EFE/EPA

Contra nova cepa, Inglaterra amplia lockdown a todo o país e inclui escolas

Premiê britânico anunciou que restrições valem até ao menos o dia 19 de fevereiro após média diária de infecções pela covid-19 crescer constantemente nos últimos 4 meses; premiê da Escócia também decretou fechamento total a partir de hoje

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de janeiro de 2021 | 17h35
Atualizado 04 de janeiro de 2021 | 20h57

LONDRES - O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, anunciou nesta segunda-feira, 4, um novo lockdown nacional na Inglaterra até pelo menos meados de fevereiro para combater a nova variante do coronavírus que vem se espalhando rapidamente pelo país e pelo mundo.

Johnson pediu que os britânicos fiquem em casa mais uma vez, como em março, agora porque a nova variante se espalha de forma “frustrante e alarmante”. “Enquanto falo com vocês, nossos hospitais estão sob mais pressão da covid do que em qualquer momento desde o início da pandemia”, disse.

O governo semi-autônomo da Escócia  também anunciou um novo lockdown nesta segunda-feira para pelo menos o restante do mês. Nicola Sturgeon, a primeiro-ministra escocesa, disse ao Parlamento que a partir de terça-feira haveria "uma exigência legal para se ficar em casa, exceto para fins essenciais".

O novo lockdown chega às vésperas da volta às aulas no Reino Unido. Na Inglaterra, os exames seriam retomados no dia 11 de janeiro, enquanto o semestre seria iniciado presencialmente no dia 18. As escolas primárias foram reabertas hoje. O País de Gales e a Escócia  também planejavam retornar o aprendizado presencial em 18 de janeiro. 

Agora, a partir desta terça-feira, todas as escolas e faculdades serão fechadas e voltarão ao ensino remoto, exceto para crianças vulneráveis e filhos de trabalhadores essenciais. Locais que atendem a primeira infância permanecerão abertos. Espera-se que os estudantes universitários estudem em casa até pelo menos meados de fevereiro.

As novas regras também determinam o fechamento de todas as lojas não essenciais e serviços de cuidados pessoais, como salões de beleza. Restaurantes só poderão operar como serviço de delivery. 

Hoje, a Inglaterra tinha 26.626 pacientes com covid internados em seus hospitais, um aumento de mais de 30% em relação à semana anterior. O número é 40% maior que o nível mais alto registrado durante a primeira onda na primavera (norte).

A média diária de novos casos vem crescendo constante nos últimos quatro meses. Em setembro, foram registradas em média 3.913 infecções por dia; em outubro, 18.013; em novembro, 20.642; em dezembro, 27.713. Nos primeiros dias de janeiro, a média está em 56.196 ao dia.

O motivo pode estar na nova cepa identificada no país em dezembro. Registrada como B117, a variante pode ser até 70% mais transmissível do que as versões anteriores do vírus, e foi detectada pela primeira vez no sudeste da Inglaterra. Especialistas disseram, no entanto, que ela não parece mais mortal ou mais resistente às vacinas.

As autoridades registraram mais de 50 mil novas infecções por dia desde que ultrapassaram esse marco pela primeira vez em 29 de dezembro. Hoje, o país registrou 407 mortes relacionadas ao vírus, elevando o número total de mortes confirmadas a 75.431, uma das piores taxas da Europa.

As autoridades médicas do Reino Unido alertaram que, sem outras medidas, “há um risco material de o Serviço Nacional de Saúde em várias áreas ficar sobrecarregado nos próximos 21 dias”. 

O aumento vertiginoso de casos acontece ao mesmo momento em que o Reino Unido inicia a vacinação com o imunizante da Universidade de Oxford-AstraZeneca. Na manhã de hoje, Brian Pinker, de 82 anos, se tornou a primeira pessoa no mundo a receber uma injeção da vacina fora dos testes clínicos.

O ex-gerente de manutenção enrolou a manga em um hospital em Oxford, onde a vacina foi desenvolvida. “A vacina significa tudo para mim. Para mim, é a única maneira de voltar à vida normal”, disse Pinker depois.

O governo espera que a vacina Oxford-AstraZeneca, que é mais barata de produzir e mais fácil de transportar do que outras vacinas administradas, seja uma “virada de jogo”. Residentes de lares de idosos, profissionais de saúde e pessoas com mais de 80 anos estão na frente na fila. Mas vacinar uma nação inteira levará meses, e o número crescente de casos e hospitalizações continua gerando alarme no Reino Unido.

Reações

A decisão de Johnson foi corroborada pela oposição. Keir Starmer, líder do Partido Trabalhista, considerou as medidas necessárias. “Pedimos ao governo que dê esse passo. Vamos apoiá-las e acho que o que o país quer é ver todos se unindo para fazer o nosso melhor para superar isso”, disse à agência Reuters

Já o diretor-geral da Câmara de Comércio Britânica, Adam Marshall, pediu atenção às empresas. “Elas entenderão porque o primeiro-ministro se sentiu compelido a agir sobre a crescente ameaça à saúde pública, mas ficarão perplexas e decepcionadas com o fato de ele não ter anunciado apoio adicional às empresas afetadas”, declarou. / AP, REUTERS e WP

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