Reino Unido deve convocar eleições gerais para 6 de maio

Brown pode pedir dissolução do parlamento na terça-feira e convocar pleito ainda nesta semana

Daniela Milanese, da Agência Estado

05 de abril de 2010 | 14h03

LONDRES - O governo do Reino Unido deve convocar eleições gerais ainda nesta semana. A expectativa é a de que o primeiro-ministro, Gordon Brown, peça à rainha Elizabeth II a dissolução do atual Parlamento amanhã e marque as votações para 6 de maio.

O debate eleitoral no país ocorre em torno da administração dos gastos públicos, em um ambiente de recuperação econômica ainda frágil. O governo acumula déficit fiscal de 167 bilhões de libras (cerca de US$ 250 bilhões), número que caminha para 12% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano. Ao mesmo tempo, após um ano e meio em recessão, a economia conseguiu crescer apenas 0,4% no quarto trimestre de 2009.

O desafio é calibrar a relação entre os estímulos necessários para garantir a retomada econômica e os riscos trazidos pela explosão da dívida pública, um problema existente também em diversos outros países da Europa.

O governo trabalhista de Gordon Brown argumenta que a prioridade deve ser o crescimento econômico, pois cortes de gastos neste momento acabariam prejudicando a retomada.

Tanto que o orçamento apresentado no final de março não trouxe medidas relevantes de controle de despesas. O governo optou por incentivos tributários para os que ganham menos e aumento de impostos para a camada mais rica da população.

Já o líder do Partido Conservador, David Cameron, defende maior austeridade fiscal, sob o risco de que o endividamento desenfreado acabe trazendo ainda mais problemas para o país. Mas a oposição teve de fazer ajustes recentes no discurso, depois de perder espaço nas pesquisas de intenção de voto.

Pesquisas

Dado como franco favorito, a vantagem do Partido Conservador sobre os trabalhistas chegou a superar 10 pontos porcentuais nas pesquisas. No mês passado, despencou para cinco pontos, trazendo a possibilidade de um Parlamento sem maioria absoluta, algo raro na história do Reino Unido e que poderia dificultar a aprovação de projetos.

Desde então, Cameron já falou em taxar os bancos para recuperar os recursos injetados no sistema durante a crise, uma iniciativa que contrasta com o alinhamento do partido aos interesses de Londres. Brown também defende um novo imposto para as instituições financeiras, mas quer algo coordenado no âmbito do G-20.

Mas as pesquisas mais recentes indicam que os conservadores estão conseguindo agradar a opinião pública com os passos recentes. A vantagem sobre os trabalhistas voltou para 10 pontos porcentuais, segundo pesquisa divulgada no domingo pelo The Sunday Times.

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