Will Oliver/EFE
Will Oliver/EFE

Reino Unido divulga pacote de 200 milhões de libras para impedir 2ª onda de covid-19

Ideia é minimizar infecção em massa em países em desenvolvimento com sistemas de saúde menos preparados para rastrear e deter o vírus

Célia Froufe, O Estado de S.Paulo

12 de abril de 2020 | 09h19

LONDRES - O Reino Unido anunciou neste domingo, 12, um pacote de 200 milhões de libras para ajudar a impedir que uma segunda onda do coronavírus chegue ao país. Conforme informou a ministra de Desenvolvimento Internacional, Anne-Marie Trevelyan, a quantia será destinada a instituições de caridade locais e organizações internacionais e visa proteger a população local da propagação da covid-19 em países mais vulneráveis. A ideia é minimizar a quantidade de infecção em massa em países em desenvolvimento e com sistemas de saúde menos preparados para rastrear e deter o vírus.

De acordo com o governo britânico, especialistas da área da saúde identificaram a carência dos sistemas de saúde em países em desenvolvimento como um dos maiores riscos para a propagação global do vírus. Eles alertaram que caso o coronavírus se espalhe nos países em desenvolvimento, pode levar ao ressurgimento do vírus no Reino Unido no final do ano e pressionar ainda mais o Sistema Nacional de Saúde (NHS, na sigla em inglês).

Com os recursos, o montante total disponibilizado pelo Reino Unido no que Anne-Marie chamou de “luta global contra o coronavírus” sobe para 744 milhões de libras. O novo valor anunciado hoje inclui 130 milhões de libras para agências da Organização das Nações Unidas (ONU), dos quais 65 milhões de libras serão destinados à Organização Mundial da Saúde (OMS), que coordena os esforços internacionais para acabar com a pandemia mais cedo. “O coronavírus não respeita as fronteiras dos países; portanto, nossa capacidade de proteger o público britânico só será eficaz se fortalecermos também os sistemas de saúde dos países em desenvolvimento vulneráveis”, disse a ministro do Desenvolvimento Internacional.

Outros 50 milhões de libras do pacote anunciado apoiarão a Cruz Vermelha em áreas de difícil acesso, como as que sofrem conflitos armados. Um total de 20 milhões de libras será destinado ainda a ONGs, incluindo instituições de caridade britânicas. “A generosa contribuição do Reino Unido é uma forte afirmação de que esta é uma ameaça global e que exige uma resposta global”, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. “Agora, devemos apoiar os países mais vulneráveis como parte de um esforço para manter todos nós seguros”, acrescentou o diretor-executivo internacional da Cruz Vermelha Britânica, Alexander Mattheou.

Neste domingo, autoridades informaram que a Inglaterra teve 657 mortes pela Covid-19 nas últimas 24h, dos quais 42 pacientes que não possuíam comorbidades. O total de falecimentos chega a 9.594.

Boris Johnson

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, disse que deve sua vida para os médicos e enfermeiros do National Health System (o sistema de saúde público do Reino Unido) que cuidaram dele enquanto se recupera da covid-19. O premiê recebeu alta médica neste domingo, 12, e deverá terminar sua recuperação na casa oficial de campo em Chequers. Ele não volta ao trabalho de imediato.

Johnson fez seus primeiros comentários neste domingo e disse que "não consigo agradecê-los o suficiente. Eu devo a eles minha vida".

O primeiro-ministro, que tem 55 anos, foi diagnosticado com a covid-19 há mais de duas semanas, se tornando o primeiro líder mundial a contrair a doença. Seus primeiros sintomas foram leves, incluindo tosse e febre.

Ele deu entrada no Hospital St. Thomas no último domingo, 5, após seu quadro piorar e foi transferido para a UTI no dia seguinte, onde recebeu oxigênio, mas não precisou de um respirador mecânico. Ficou três noites lá antes de voltar para um quarto na quinta-feira, 16.

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