Piroschka van de Wouw / Reuters
Piroschka van de Wouw / Reuters

Reino Unido e Holanda acusam inteligência militar russa de ciberataques

Para Otan, comportamento de Moscou é ‘imprudente’; ministra da Defesa holandesa pede que Rússia encerre suas atividades que visam ‘comprometer’ as democracias ocidentais; quatro agentes são expulsos da Holanda

O Estado de S.Paulo

04 Outubro 2018 | 09h34

HAIA, HOLANDA - O Reino Unido acusou nesta quinta-feira, 4, a inteligência militar russa de ter realizado alguns dos principais ciberataques no mundo nos últimos anos. Além disso, a Holanda revelou uma tentativa de ataque virtual da Rússia contra uma organização internacional, um comportamento que a Otan qualificou como “imprudente”.

Autoridades da Holanda frustraram, em abril, uma tentativa de agentes de inteligência russos de lançarem um ataque cibernético contra a Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq), informou a ministra da Defesa holandesa, Ank Bijleveld. Em uma entrevista coletiva em Haia, ela pediu que a Rússia encerre suas atividades cibernéticas que visam “comprometer” as democracias ocidentais.

A Holanda expulsou quatro agentes russos do país, com a ajuda do Reino Unido. “Com a operação exposta hoje, lançamos uma nova luz sobre as inaceitáveis atividades cibernéticas do serviço de inteligência militar russo, o GRU”, afirmaram em um comunicado conjunto a primeira-ministra britânica, Theresa May, e seu colega holandês, Mark Rutte.

"Esta tentativa de acessar o sistema de uma organização internacional que trabalha para livrar o mundo das armas químicas demonstra o desprezo da GRU pelos valores globais e regras internacionais que garantem nossa segurança.”

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De acordo com o chefe da agência de inteligência militar da Holanda, quatro russos chegaram ao país no dia 10 de abril e foram pegos com equipamento de espionagem em um hotel localizado perto da sede da Opaq.

Na época, a organização trabalhava para identificar a substância utilizada em um ataque na cidade inglesa Salisbury contra o ex-espião russo Serguei Skripal e sua filha Yulia. A Opaq também tentava verificar qual substância havia sido usada em um atentado em Duma, na Síria.

Os quatro russos foram detidos na Holanda no dia 13 de abril e deportados, afirmou o general holandês Onno Eichelsheim, acrescentando que eles pretendiam ir a um laboratório em Spiez, na Suíça, para analisar amostras de armas químicas. A inteligência militar russa “é ativa aqui na Holanda, onde estão muitas organizações internacionais”, disse.

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Reações

A União Europeia (UE) condenou a ação “agressiva” de ciberespionagem russa. O secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, advertiu Moscou a interromper sua conduta "imprudente".

"A Rússia deve interromper sua conduta imprudente, incluindo o uso da força contra os seus vizinhos, a tentativa de interferência em processos eleitorais e as campanhas de desinformação generalizadas", afirmou Stoltenberg. / REUTERS e AFP

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