Tolga Akmen / AFP
Tolga Akmen / AFP

Em meio a ceticismo de aliados, May fecha acordo prévio para o Brexit com a UE

Pacto deve ser apresentado na quarta-feira, 14, pela premiê ao gabinete de ministros; aprovação no Parlamento deve ser difícil

O Estado de S.Paulo

13 de novembro de 2018 | 16h08
Atualizado 13 de novembro de 2018 | 18h53

LONDRES  -O Reino Unido e a União Europeia chegaram nesta terça-feira, 13, a um esperado acordo sobre as bases para o Brexit. O gabinete da primeira-ministra Theresa May se reúne na quarta-feira, 14, à tarde em Londres para discuti-lo em meio a dúvidas sobre se a premiê conseguirá construir um consenso em torno do pacto para aprová-lo no Parlamento, onde tanto a oposição quanto aliados da coalizão e membros do Partido Conservador têm ressalvas ao projeto. 

Após meses de impasse sobre em que termos o Reino Unido abandonará a União Europeia, o esboço do acordo, com mais de 400 páginas, dá à premiê a chance de evitar um Brexit não amigável, o que seria, para analistas, caótico e desordenado. 

O problema é que o respaldo de eurocéticos do gabinete ao que foi negociado com Bruxelas é incerto. Mesmo que May convença seus ministros, ela ainda terá de obter o apoio do DUP – partido unionista irlandês crucial para a maioria conservadora no Parlamento – e talvez do Partido Trabalhista, também com ressalvas ao acordo para aprová-lo na Câmara dos Comuns.  

No pior cenário para May, seus ministros podem desertar do gabinete e uma rejeição mais ampla ao acordo pode até ameaçá-la no cargo. 

Os detalhes do pacto não estavam disponíveis até a noite de ontem, mas o foco das conversas entre Londres e Bruxelas nos últimos dias tem sido a fronteira entre a Irlanda e a Irlanda do Norte. A adoção de um mecanismo chamado “backstop”, que na prática impede que existe uma fronteira efetiva entre os dois países e favorece trocas comerciais entre Irlanda e Reino Unido, desagrada os conservadores mais eurocéticos.

O ex-chanceler Boris Johnsson qualificou o acordo de "profundamente inaceitável" e disse que não aceitará um acordo que torne o Reino Unido um "estado vassalo" da União Europeia. O deputado conservador Iain Duncan Smith, por sua vez, disse que se o acordo evitar o retorno de controles aduaneiros entre as duas Irlandas, o chamado backstop, "os dias do governo May estão contados". Estima-se que 50 deputados conservadores de um total de 315 possam se opor ao projeto. 

O líder dos trabalhistas, Jeremy Corbyn, prometeu "examinar os detalhes do acordo quando estiverem disponíveis", mas garantiu que votará contra ele caso não esteja de acordo com as diretrizes do partido, que prezam a manutenção das benesses comerciais que o Reino Unido hoje desfruta dentro da UE. Para o deputado trabalhista Keir Starner, dificilmente o pacto será o mais apropriado para o país.

O líder do DUP, Nigel Dodds, disse que “o acordo tiver sido ditado por Bruxelas ele seria inaceitável”, em referência a uma flexibilização da fronteira na Irlanda do Norte. “Vamos esperar para ver. Parece que a premiê está desesperada por qualquer acordo.”

O Reino Unido deve deixar a União Europeia em 29 de março. Caso não haja um acordo entre as duas partes, autoridades em Londres e Bruxelas temem um cenário caótico, com congestionamento de portos e até escassez de remédios e alimentos importados. 

Se o gabinete de May endossar o acordo, chanceleres europeus devem referendá-los no fim do mês. Em seguida, o projeto parte para aprovação na Câmara dos Comuns e no Parlamento Europeu. 

Os britânicos aprovaram o Brexit num plebiscito em 2016 sem detalhes de como seria negociada a saída da União Europeia. Desde então, o governo de Theresa May tem se dividido entre os que querem manter os laços econômicos com o continente e os que querem uma ruptura. 

Nas últimas semanas, o tema da fronteira irlandesa ampliou temores dos eurocéticos de que a ausência de controle migratório na Irlanda do Norte una o Reino Unido indefinidamente às regras alfandegárias europeias, dificultando  acordos de livre-comércio com outros países. 

 

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