EFE/Yury Senatorov
EFE/Yury Senatorov

Ex-espião russo sofreu tentativa de assassinato com agente nervoso, diz polícia britânica

De acordo com a Scotland Yard, substância usada no ataque a Serguei Skripal, de 66 anos, e sua filha Yulia, de 33 anos, é muito rara e de natureza ainda desconhecida; os dois permanecem em estado grave desde que foram encontrados inconscientes no domingo

O Estado de S.Paulo

07 Março 2018 | 13h42
Atualizado 07 Março 2018 | 16h11

LONDRES - O ex-espião russo Serguei Skripal sofreu uma tentativa de homicídio com um agente nervoso muito raro, informou nesta quarta-feira, 7, a polícia britânica. 

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De acordo com a Scotland Yard, Skripal, de 66 anos, ex-coronel do serviço secreto militar russo que passou informações aos britânicos, e sua filha Yulia, de 33 anos, que mora na Rússia e visitava o pai, continuam internados em estado grave desde que foram encontrados inconscientes no banco de uma rua da cidade de Salisbury, no sudoeste da Inglaterra.

O comandante da polícia contraterrorista britânica Mark Rowley revelou que há, ainda, um policial também afetado, mas não quis detalhar o tipo de agente nervoso usado no atentado.

"Além disso, infelizmente, um agente da polícia que foi um dos primeiros a chegar à cena em resposta ao incidente, também está no hospital em estado grave", acrescentou Rowley.

Mais cedo, citando fontes de segurança, o editor de política do jornal The Sun publicou em sua conta no Twitter que o veneno usado no ataque a Skripal "só poderia ser produzido em pouquíssimos laboratórios do mundo".

Reunião

O governo britânico fez uma reunião de emergência nesta quarta para examinar a questão do envenenamento de um ex-espião russo e sua filha, enquanto os especialistas tentam identificar a substância tóxica utilizada.

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Testemunhas afirmaram que os dois pareciam estar sob os efeitos de heroína e não tinham ferimentos visíveis. Eles estão sendo tratados em um hospital da cidade "por suspeitas de exposição a uma substância desconhecida", informou a polícia do condado de Wiltshire.

A ministra britânica do Interior, Amber Rudd, presidirá a reunião do gabinete de crise "Cobra", que reúne poucos membros do governo e a primeira-ministra, Theresa May, e é ativado apenas em caso de atentados.

Na terça-feira, o ministro das Relações Exteriores, Boris Johnson, afirmou no Parlamento que a Rússia é "uma força maligna e perturbadora". "Aviso aos governos de todo o mundo que nenhuma tentativa de acabar com uma vida inocente no Reino Unido ficará sem castigo ou sanção", advertiu.

Mas este não é o primeiro caso de exilado russo envenenado no Reino Unido. As vítimas anteriores foram Alexander Litvinenko, em 2006, e Alexander Perepilichni, em 2012. 

A embaixada russa em Londres criticou as declarações de Johnson. "Ele fala como se a investigação estivesse concluída, como se a Rússia tivesse sido julgada responsável pelo que aconteceu", afirmou a representação em um comunicado. 

Em Moscou, um porta-voz do Kremlin declarou que a Rússia estava "disposta a cooperar" com a investigação, mas que não recebeu nenhum pedido.

Sintomas

A unidade antiterrorista da polícia assumiu a investigação, mas até o momento o caso não foi classificado oficialmente como atentado.

Perto da cidade de Salisbury está localizado o laboratório militar de Porton Down, onde a imprensa britânica acredita que a possível substância utilizada contra Skripal está sendo analisada.

O caso lembra o de Alexander Litvinenko, ex-espião que se tornou inimigo do presidente russo, Vladimir Putin, assassinado com uma substância altamente radioativa - polônio 210 - colocada em seu chá em um hotel de luxo de Londres por dois agentes russos.

Depois de ser condenado na Rússia a 13 anos de prisão por repassar informações a Londres, Skripal foi incluído em uma troca de espiões no aeroporto de Viena em 2010. Desde então, mora no Reino Unido. As imagens das câmeras de segurança mostram o ex-coronel caminhando normalmente com uma mulher pouco antes de sofrer os efeitos do envenenamento.

Malcolm Sperrin, médico que já trabalhou para o Exército, acredita que Skripal e a filha podem ter sido vítimas de uma substância química e não radioativa. "A velocidade com que aconteceu sugere que provavelmente não foi radiação, porque o envenenamento desse tipo pode demorar de 10 horas a vários dias para mostrar os sintomas após a exposição", disse.

"Alguns sintomas descritos no caso sugerem que pode ter sido químico, mas não podemos ter certeza. O tempo de reação após a exposição a substâncias químicas vai de segundos a minutos". 

A imprensa britânica especula que a substância usada pode ter sido o tálio, um metal tóxico que era usado como veneno de rato. / AFP

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