Reino Unido: líder/oposição é contra consulta sobre UE

O líder do principal partido da oposição no Reino Unido disse neste domingo que seria "incrivelmente perigoso" se comprometer com um referendo para decidir se o país deve ou permanecer na União Europeia (UE).

AE, Agência Estado

13 de janeiro de 2013 | 10h41

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, fará no fim deste mês um discurso decisivo, no qual definirá os seus planos para uma revisão do Reino Unido com a UE. Ele tem sido pressionado pelos parlamentares do próprio Partido Conservador a fazer um referendo sobre a adesão ao bloco econômico em algum momento depois da próxima eleição.

Em entrevista à BBC, o líder do Partido Trabalhista, Ed Miliband, afirmou que se comprometer com um referendo antes de saber o resultado das negociações com a UE criaria uma incerteza que poderia prejudicar ainda mais as perspectivas econômicas do Reino Unido. "O primeiro-ministro está nos guiando para porta de saída", disse ele.

Miliband pode muito bem se tornar premiê após as eleições de 2015, com a maioria das pesquisas de opinião dando ao seu partido uma liderança de dois dígitos sobre os conservadores.

Ele acusou Cameron de arriscar um confronto com a Europa por motivos particulares. O Partido da Independência do Reino Unido (UKIP, na sigla em inglês), que é hostil à UE, atrai crescente suporte nas pesquisas de opinião, especialmente de pessoas que votaram no Partido Conservador nas eleições de 2010. "Ele está preocupado com a ameaça do UKIP, preocupado com o próprio partido", continuou Miliband.

O desejo do governo britânico de redesenhar a relação com a UE gera preocupações entre os aliados de que o Reino Unido pode eventualmente se retirar do bloco. Tais temores se intensificaram com a publicação na sexta-feira de uma entrevista com o ministro de Finanças, George Osborne, na qual ele parece lançar um ultimato, reforçando que a UE deve mudar para o Reino Unido continue como membro no futuro.

"A população britânica está muito desapontada com a UE e o povo tem a sensação de que muitas decisões estão sendo tomadas muito longe de Bruxelas", disse Osbourne ao jornal alemão Die Welt. "Nossos cidadãos perguntam se a Europa pode realmente resolver os problemas mais urgentes, criar empregos e prosperidade."

Na semana passada, Philip Gordon, assistente da Secretaria de Assuntos da Europa e Eurásia do Departamento de Estado, disse em visita a Londres que os EUA valorizam a "forte voz britânica" na UE. "Isso é do interesse da América", observou. Olli Rehn, autoridade econômica sênior da UE, também se juntou ao coro de vozes contra a saída dos britânicos do bloco econômico. Rehn afirmou que seria melhor para o Reino Unido estar envolvido na tomada de decisões da União Europeia no mais alto nível.

No entanto, uma pesquisa de opinião divulgada no sábado mostrou que apenas 33% dos 2.059 britânicos entrevistados no fim de dezembro votariam a favor da retirada da UE, menos que os 37% observados no levantamento de outubro de 2011. O porcentual de pessoas contra a medida subiu de 37% para 42%, e o de indecisos ficou em 25%. As informações são da Dow Jones.

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