EFE/EPA/ALEXEI DRUZHININ / SPUTNIK / KREMLIN POOL
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Reino Unido não conseguiu investigar interferência russa no Brexit, diz relatório

Documento produzido pela Comissão de Segurança do Parlamento britânico afirmou ainda que russos tentaram influenciar referendo de 2014 em que a Escócia rejeitou a independência

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de julho de 2020 | 09h46

Um relatório do Parlamento britânico afirmou nesta terça-feira, 21, que o governo do Reino Unidoas agências de inteligência falharam em conduzir ums avaliação adequada sobre as tentativas do Kremlin de interferir no referendo do Brexit, em 2016, que determinou a saída do país da União Europeia. O documento de 50 páginas produzido pela Comissão de Segurança exige que a comunidade de inteligência investigue a possível interferência e torne públicas suas descobertas.

O tão esperado relatório parlamentar afirmou que a Rússia tentou influenciar o referendo em 2014, quando os eleitores na Escócia rejeitaram independência. “Surgiram comentários críveis dando a entender que a Rússia realizou campanhas de influência em relação ao referendo escocês de independência em 2014”, informou o relatório, que foi finalizado em março de 2019, mas ficou guardado até esta semana. 

O relatório mostra que também existem fontes de código aberto segundo as quais a Rússia teria tentado influenciar a campanha do Brexit, mas ressalta que o governo britânico não procurou indícios profundos de intromissão. A Comissão de Segurança, que avalia o trabalho das agências de espionagem do Reino Unido, informou que não recebeu nenhuma avaliação pós-referendo das tentativas de interferência russas. 

"Esta situação contrasta com o tratamento americano de alegações de interferência russa nas eleições presidenciais de 2016, onde uma avaliação da comunidade de inteligência foi produzida dentro de dois meses após a votação, com um resumo sendo tornado público", diz um trecho do documento, de acordo com o jornal britânico The Guardian.

Ainda segundo o The Guardian, os membros da Comissão disseram que não puderam concluir definitivamente se o Kremlin interferiu ou não com sucesso na votação do Brexit porque nenhum esforço foi feito para descobrir. O governo do primeiro ministro Boris Johnson, que chegou ao poder como uma das principais figuras da campanha vitoriosa de deixar a União Europeia, respondeu dizendo que não havia evidências de intervenção russa "bem-sucedida" no referendo. O governo rejeitou qualquer pedido de revisão.

O relatório também considerou a Rússia uma potência hostil que representava um ameaça significativa para o Reino Unido e o Ocidente em várias frentes - de espionagem e cibernética até intromissão nas eleições e lavagem de dinheiro sujo. "Parece que a Rússia considera o Reino Unido um dos seus principais alvos de inteligência ocidentais ", afirmou o relatório.  

A Comissão retratou a Rússia como uma fonte de dinheiro corrupto que foi bem recebida em Londres, a principal capital financeira do mundo. "O Reino Unido tem sido visto como um destino particularmente favorável para oligarcas russos e seu dinheiro". 

O Kremlin disse que a Rússia nunca interferiu em processos eleitorais do Reino Unido e negou repetidamente qualquer acusação de intromissão no Ocidente, dizendo que os Estados Unidos e o Reino Unido são dominados "histeria anti-russa". "A Rússia nunca interferiu nos processos eleitorais de qualquer país", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.

Maria Zakharova, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, disse que o relatório tem a ver com "russofobia". As relações entre Londres e Moscou piorararam após o Reino Unido culpar a Rússia por envenenar o ex-espião russo Sergei Skripal e sua filha Yulia na cidade inglesa de Salisbury. 

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