10 Downing Street / AFP
10 Downing Street / AFP

Reino Unido pede adiamento do Brexit até 30 de junho

Primeira-ministra Theresa May comunicou ao Parlamento britânico que escreveu ao presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, para oficializar a extensão do artigo 50, que rege a saída de um país-membro do bloco econômico

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de março de 2019 | 09h45
Atualizado 20 de março de 2019 | 11h35

LONDRES - O governo britânico pediu nesta quarta-feira, 20, à União Europeia um adiamento de três meses da data de saída do bloco, o Brexit, marcada para 29 de março, anunciou a primeira-ministra Theresa May à Câmara dos Comuns.

"Eu escrevi esta manhã para o presidente (do Conselho Europeu, Donald) Tusk informando-o que o Reino Unido quer uma extensão do artigo 50 (que rege a partida de um país membro) até 30 de junho", explicou May para os deputados.

Muitos esperavam que a extensão fosse significativamente mais longa e as reações contrárias dos deputados foram quase imediatas após o anúncio da primeira-ministra, antecipando mais um possível embate entre o Legislativo e o Executivo do Reino Unido.

"A primeira-ministra parece seguir por um caminho que seu próprio adjunto descreveu na semana passada como imprudente. Theresa May está desesperada mais uma vez para impor uma escolha binária entre seu acordo e um Brexit sem acordo, apesar de o Parlamento descartar claramente ambas opções na semana passada", escreveu no Twitter o deputado trabalhista Keir Starmer.

"O país não está frustrado com o Parlamento. Está frustrado pela debilidade desta primeira-ministra, um governo apático e o desastre total que os conservadores fizeram com o Brexit", completou o liberal-democrata Tom Brake, em comunicado.

A reação da Comissão Europeia ao pedido de May também foi negativa, ao considerar que um adiamento até 30 de junho "implica um grave risco político e jurídico", segundo documento divulgado nesta quarta-feira.

"Qualquer prorrogação oferecida ao Reino Unido deveria durar até 23 de maio ou ser significativamente mais longo e requerer a realização de eleições europeias" no país, diz o documento da Comissão.

Bruxelas considera duas opções, que têm relação com as eleições europeias previstas para acontecerem de 23 a 26 de maio. O Reino Unido estaria obrigado a participar delas, se continuar sendo membro do bloco até 2 de julho, início da nova legislatura na Eurocâmara.

A primeira opção seria "uma breve ampliação técnica até 23 de maio de 2019", em torno de um mês a menos do que o planejado por May, enquanto a segunda opção seria "uma prorrogação longa para além dessa data e ao menos até o fim de 2019".

"Qualquer outra opção - como, por exemplo, uma prorrogação até 30 de junho de 2019 - implicaria graves riscos jurídicos e políticos para a União Europeia (UE) e traria algumas das incertezas atuais do Reino Unido" para seus 27 sócios, acrescenta o documento.

A Comissão também pede às autoridades europeias que adotem "um único adiamento, em vez de uma série de adiamentos, que manteria a UE no limbo durante um longo período de tempo". / AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.