Reino Unido pede que mundo dê um 'basta' em Mugabe

Epidemia de cólera e hiperinflação no Zimbábue intensificam pressão por mudança de governo do país

Agências internacionais,

06 de dezembro de 2008 | 09h32

O primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, disse neste sábado, 6, que a crise no Zimbábue virou uma emergência internacional e pediu ao mundo que se una para dizer "basta" ao presidente Robert Mugabe. Em um comunicado, Brown argumentou que a crise no país africano, iniciada em 2000 e que se agravou nas últimas semanas com o alastramento de uma epidemia de cólera, "é internacional porque as doenças cruzam fronteiras" e porque "os sistemas do governo do Zimbábue estão partidos".   Veja também: Rice diz que já passou da hora de Mugabe sair do poder Desmond Tutu pede que África use a força para tirar Mugabe   Com um saldo de 12.700 contaminados, deixando 575 mortos, o surto de cólera no Zimbábue é visto como mais uma prova da incapacidade do Estado em exercer suas funções básicas. O impasse político persiste, a inflação nacional deve chegar a 1 trilhão por cento ao ano, funcionários públicos estão com salários atrasados e a oferta de alimentos vem minguando.   "Não há um Estado capaz ou disposto a proteger sua gente", afirmou o primeiro-ministro britânico. Brown destacou que, justo quando se comemora o 60º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, a comunidade internacional deveria se unir "para defender os direitos humanos e a democracia, e para dizer firmemente a Mugabe que já chega".   O chefe do Executivo britânico disse que a prioridade agora é evitar mais mortes com a distribuição de ajuda humanitária. Brown explicou que esteve em contato com líderes africanos para impulsionar uma ação mais firme "a fim de dar aos zimbabuanos o governo que se merecem". Além disso, disse esperar que o Conselho de Segurança (CS) da ONU se reúna urgentemente para tratar da situação no país. "O povo do Zimbábue votou por um futuro melhor. É nossa obrigação apoiar esse desejo", disse.   A secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, fez um novo apelo para que o presidente zimbabuano, Robert Mugabe, afaste-se definitivamente do poder. "A vez de Mugabe já passou há muito tempo", declarou Condoleezza, reforçando a pressão para que a comunidade internacional intervenha no impasse político e resolva o caos humanitário no Zimbábue - ameaçado por uma epidemia de cólera, pelo naufrágio econômico e pela escassez de alimentos. "Se isso não demonstra à comunidade internacional que é hora de agir, eu não sei o que o fará", disse Condoleezza.   O acrebispo sul-africano Desmond Tutu, ganhador do Prêmio Nobel da Paz, endossou o coro contra Mugabe e disse ontem que a comunidade internacional deve retirar "à força" o líder, caso ele não deixe voluntariamente a presidência. "Mugabe destruiu um país maravilhoso, o antigo celeiro da África", disse Tutu. "Se não sair agora, deverá prestar contas ao Tribunal Internacional de Haia por suas violações."

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