Reino Unido pressiona Murdoch a desistir de negócio

A tentativa da News Corp, do magnata Rupert Murdoch, de assumir o controle completo da operadora de TV paga British Sky Broadcasting (BSkyB) sofreu novos revezes hoje, quando surgiram novos empecilhos regulatórios e o vice-primeiro-ministro britânico, Nick Clegg, pediu à companhia que simplesmente desista da iniciativa, informa o Wall Street Journal.

GABRIEL BUENO, Agência Estado

11 de julho de 2011 | 12h09

O ministro da Cultura, Jeremy Hunt, disse que buscará mais aconselhamento dos reguladores em torno da oferta da News Corp para comprar a cadeia de televisão por satélite. Em meio ao aumento da pressão política no caso, Clegg disse que Murdoch, presidente da News Corp, deveria "fazer a coisa sensível e decente" e reconsiderar a proposta pela BSkyB.

As novidades são os mais recentes golpes para uma proposta que, há uma semana, parecia a caminho de obter a aprovação dos reguladores. A News Corp tenta negociar um preço para comprar os 60,9% da BskyB que a companhia ainda não possui.

Na semana passada, surgiram novas denúncias em torno do tabloide News of The World, da News Corp, envolvendo escutas ilegais em telefonemas de celebridades, políticos e até de vítimas de crimes. A direção da empresa decidiu que a edição do domingo passado seria a última do jornal, como resposta ao caso.

Agora, Hunt enviará uma carta hoje à reguladora da mídia britânica Ofcom e ao Office of Fair Trading "pedindo mais conselhos, à luz dos eventos surgidos no escândalo de grampos", disse uma porta-voz do Ministério da Cultura, Mídia e Esportes. Hunt disse à BBC que muitas coisas mudaram, nas últimas semanas, com as revelações em torno das escutas ilegais do News of the World.

Clegg tornou-se hoje a figura mais graduada do governo a se posicionar contra a proposta da News Corp. O partido dele, o Liberal Democrata, tem um histórico recente de problemas com alguns dos jornais da News Corp.

O governo também deve levar em conta a hostilidade atual dos eleitores em relação à News Corp e ao acordo. A empresa de pesquisas YouGov concluiu que apenas 9% dos eleitores apoiam o negócio, enquanto 70% desejam que ele não ocorra.

O oposicionista Partido Trabalhista prometeu retardar uma votação parlamentar em torno do acordo, até a conclusão das investigações sobre o tabloide. Essa votação não é essencial para o fechamento do negócio, porém caso seja retardada isso elevará a pressão para o governo adiar a decisão.

O Ofcom, regulador do setor de telecomunicações, tem a prerrogativa de definir se indivíduos têm "idoneidade" para obter uma licença de uma cadeia do setor de mídia. Hunt disse que questionará se as últimas notícias podem significar que o governo precisa reconsiderar sua posição prévia, "especificamente" sobre questões como "a confiança e a credibilidade" da companhia de Murdoch.

A News Corp também é proprietária da agência Dow Jones e do Wall Street Journal. Para a companhia, o fracasso na negociação seria uma grande derrota. A compra, avaliada em até 8,9 bilhões de libras, seria a maior já realizada pelo conglomerado da mídia sediado em Nova York. As informações são da Dow Jones.

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